Adriana Antunes: Vacaria - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião21/05/2019 | 07h00Atualizada em 21/05/2019 | 07h00

Adriana Antunes: Vacaria

Esse passeio rápido me fez pensar sobre o quanto não conhecemos a nossa própria história

Vacaria é uma cidade cheia de paradoxos. Guarda em suas paredes e ruas referências de história de um passado não muito distante e já tão imaginado pela ficção de Érico Veríssimo. Uma cidade no meio dos campos de cima de serra, ainda muito rural e rica de símbolos do nosso Estado. O mate, por exemplo, não tem hora para acontecer. Ele se faz presente antes, durante e depois do jantar, dividindo a mesa com o vinho, o churrasco e o arroz. Um multiculturalismo que pode ser visto desde a primeira refeição no local. Talvez o que esteja falando seja muito conhecido por muitas pessoas, mas para mim é novidade. É um absurdo, é verdade, mas somente no último fim de semana é que conheci Vacaria. Já havia lido muito sobre a importância histórica do local para a construção social e econômica do Rio Grande do Sul. Uma história que começa lá em 1600 e pouco com a chegada dos padres jesuítas. Pouco mais de cem anos após a descoberta oficial do Brasil. Passeando pela Praça General Daltro Filho vi pela primeira vez a catedral da Nossa Senhora da Oliveira. Uma visão belíssima do que o tempo, a história e o conhecimento podem fazer pela humanidade. Toda feita em pedra moura, com duas torres e uma cripta é um dos locais mais bonitos que já visitei. Ela começou a ser projetada em 1897 e os primeiros pilares foram erguidos em 1900. Muitas pessoas estiveram envolvidas com sua construção.

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As esculturas em gesso e cimento foram feitas pelo nosso conhecido Mário Zambelli, caxiense que teve passagens pela França, Itália, Buenos Aires, Pernambuco e finalmente Vacaria. Hoje a catedral é considerada um bem histórico e cultural do Rio Grande do Sul, fazendo jus a sua beleza e reconhecimento da importância desta cidade. Esse passeio rápido até Vacaria me fez pensar sobre o quanto não conhecemos a nossa própria história. Sabemos pouco das nossas origens, temos crise de identidade e achamos que somos um país com síndrome de vira-latas. Poderíamos pensar que esse tipo de história, a nossa história, do local em que vivemos deveria ser contada pela escola. Pode ser, acho que seria bem interessante, assim como poderíamos falar dos nossos dialetos, do resgate de nossas raízes. Mas penso que deveríamos ir além. Deveríamos nos envolver mais com o espaço que ocupamos, sair de casa e nos permitir entrar em contato com a geografia que nos compõe enquanto sujeitos e também cidadãos. Talvez, só talvez, se fossemos mais envolvidos com o meio no qual estamos inseridos conseguíssemos além de reconhecer o valor histórico no nosso Estado e País, escolher representantes mais comprometidos com a cultura e a educação. Façamos nossa mea culpa.

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