Ciro Fabres: uma praça sem bancas - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião10/04/2019 | 07h00Atualizada em 10/04/2019 | 07h00

Ciro Fabres: uma praça sem bancas

Prefiro esses portais físicos, com texturas, odores, cores reais. Pronto, falei

Sempre gostei de bancas de revistas. Desde pequeno, quando meus pais me apresentaram ao universo dos álbuns de figurinhas, entre prateleiras de fotos, títulos, palavras impressas e uma infinidade de escolhas. Estavam lá enfileirados os gibis, Super-Homem, Batman, os heróis da Marvel, a turma inteira do Walt Disney, a Turma da Mônica veio bem depois. Havia a produção alternativa de Recruta Zero, Bolota, Brotoeja, Riquinho, publicações de faroeste, entre as quais despontava Tex, em formato de bolso. Tinha Tarzan e o Zorro, as revistas de fotonovelas, que minha mãe comprava, Grande Hotel, Sétimo Céu. Tinha Manchete, O Cruzeiro, Fatos & Fotos.

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Era o que havia, e havia as figurinhas. Que mundo aquele! Perdidos no Espaço, lembro bem, uma ficção científica muito anterior a Star Wars e a Jornada nas Estrelas, tinha álbum. Figurinhas de jogadores de futebol não faltavam, desde então. Aquele mundo era um alvoroço mágico para a gurizada. Os pacotes de figurinhas, compravam-se nas bancas, depois negociavam-se as repetidas. As bancas, assim, eram ponto de encontro, revivido todo dia.

Pois aquele pequeno espaço ali, onde se acumulam publicações e outros pequenos artigos de comércio instiga a imaginação, aguça o interesse por ampliar nosso mundo, pela oferta de informação e conhecimento. Certamente tudo isso despertou minha inclinação por jornais, que veio a se consolidar mais tarde. Meu pai chegava ao meio-dia em casa, do trabalho para o almoço, com o jornal comprado na banca, e eu o lia avidamente, antes de ir ao colégio. O jornal tinha cheiro, a materialidade de suas páginas. Materialidade é algo importante. Não havia os portais online, nem na mais ousada imaginação. Não havia sequer o antigo PC, o chamado personal computer. Havia o mundo real.

Aquele universo das bancas parece um portal de internet, só que um portal físico. Podem até soar descompassados com nosso tempo, onde um clic é mais prático e abrevia todos os processos, mas vou revelar: prefiro esses portais físicos, com texturas, odores, cores reais. Pronto, falei. Melhor ter a opção de ir até eles do que resolver o assunto na frente da tela do computador. Encontra-se com pessoas nas ruas.

Peregrinei por algumas cidades. Deixei Alegrete, morei em outras. Visitei outras tantas e em todas resistem, persistem até hoje, estão lá os espaços centrais para bancas de revistas, que atraem pessoas. Pois aqui em Caxias a prefeitura quer acabar com as bancas da praça. Está decidida. Diz que não tem mais volta.

A cidade aos poucos perde a graça. Havia uma pracinha para crianças na Dante. Não há mais. Agora as bancas. Querem tirar os pombos. Uma tristeza!

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