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Opinião01/03/2019 | 14h00Atualizada em 01/03/2019 | 16h05

Pedro Guerra: pressa de ser feliz

Como é difícil pararmos tudo o que fazemos e ficar em absoluto estado de inércia

Pedro Guerra: pressa de ser feliz Arte / Antonio Giacomin /Antonio Giacomin
Foto: Arte / Antonio Giacomin / Antonio Giacomin

Você sabe como que a gente descobre se vive com pressa? É simples: basta comer uma bala. Quando você retira a embalagem e a coloca na boca, quanto tempo leva até mordê-la? Você deixa ela ali, saboreando e a reduzindo até não existir mais, ou você a morde de uma vez e em questão de segundos ela nem mais existe?

Faço parte do grupo dos apressados. Estou sempre correndo e muitas vezes nem sei para onde. Vou tomar um banho correndo, vou até os compromissos do dia correndo, vou e volto correndo e por aí vai. E não é engraçado pensar que fazemos tudo correndo e no fim das contas nunca sobra tempo para correr? Literalmente, quero dizer; sabe, na esteira ou na rua aos fins de tarde. Caminhar, então, hoje em dia é exercício avançado para testar a paciência.

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Passei os meus quatro dias de férias tentando não fazer nada. Acabei percebendo como é difícil pararmos tudo o que fazemos e ficar em absoluto estado de inércia. Para completar a experiência, afundei a cara dentro de um livro que fala sobre Mindfullness. Basicamente, a ideia é aproveitar ao máximo os nossos 5 sentidos, focando no hoje e no agora, mantendo sempre a atenção plena naquilo que estamos fazendo no momento. Até porque, quem é que tem certeza do amanhã?

Entre dicas de respirações e tentativas de focar a mente no que está aqui e não lá, consegui esvaziar um pouco de toda aquela angústia chata que insistimos em carregar e que nos impede de ser feliz. Aliás, felizes sempre somos, mas preferimos focar a atenção em tudo aquilo que nos impede de viver, sentir e ser, de fato, neste exato segundo, felizes. Repare: estamos em um momento importante, divertido e que por muito tempo esperamos, mas a mente voa automaticamente para o problema que estamos tendo que lidar. Até mesmo um simples ato de assistir a um filme no cinema pode se transformar em uma brecha para pensar em como resolveremos as tragédias de amanhã.

Padraig O’Morain, autor do livro em questão, propôs uma reflexão: por que é que sempre que temos que esperar (seja na fila do banco, do supermercado, do banheiro), nós automaticamente pegamos o celular? Por que é que não aproveitamos aquela espera necessária para respirar, utilizando o tempo a nosso favor ao lembrar de que talvez as esperas sejam feitas para vivermos o momento que está em nossa frente, por mais simples que seja. Olhe a sua volta, o que é que você encontra? É isso que temos. O agora. E só.

Temos pressa para tudo. Temos pressa de ser feliz. Mas vale manter em mente que felizes já somos, só basta desacelerar e perceber que a felicidade está aqui, morando sempre nos atos mais simples, e não há porque ter pressa para que ela vá embora.

Da próxima vez que comer uma bala, lembre: você vai acabá-la em questão de segundos ou vai, com toda a calma do mundo, sentir o seu gosto, apreciar a sua textura, sentir o sabor tomando conta da sua boca e acreditar que aquela é a melhor bala que você já comeu?

 
 
 

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