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Neurologia15/03/2019 | 14h03Atualizada em 15/03/2019 | 14h03

O labirinto da memória: cinco dicas para manter o cérebro afiado

Da leitura ao exercício físico, as recomendações de especialistas

O labirinto da memória: cinco dicas para manter o cérebro afiado Mateus Bruxel/Agencia RBS
Ler é um exercício fundamental para preservar a capacidade de memorização Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A pessoa esquece onde estacionou o carro, não sabe onde diabos deixou as chaves ou então entra na cozinha e já não lembra o que foi fazer lá. Quando essas situações começam a se repetir, uma das reações típicas é achar que são os primeiros sinais de Alzheimer ou outra demência. 

Tania Guerreiro, diretora da Oficina da Memória, afirma que muita gente não procura ajuda por receio de receber um diagnóstico aterrorizante. Mas a realidade costuma ser bem mais prosaica. As falhas na memória são quase sempre resultado de um estilo de vida inadequado e da falta de estímulo do cérebro. Confira o que fazer para manter a memória em dia:

Dedique-se à leitura
Ler é um dos melhores exercícios para manter a capacidade de memorização e prevenir problemas de desempenho no futuro. 

A professora Cristiane Furini explica que a leitura envolve uma série de processos que contribuem para esse resultado. Quando começamos a ler uma palavra, por exemplo, o cérebro faz um rastreio de todas as palavras que começam com as mesmas letras, até achar a correta, o que já é um exercício. Como precisamos de mais de um dia para concluir um livro, toda vez que voltamos a abri-lo ocorre uma evocação do que já foi lido, para que possamos dar sequência a atividade. Além disso, visualizamos o que lemos, o que é um exercício da criatividade e um estímulo à memória.

Tania Guerreiro aconselha que se fale das leituras com outras pessoas. Nesse processo, a informação se rearranja e sedimenta mais.

Mantenha o foco
Um dos obstáculos para a memorização é o excesso de estímulos simultâneos a que estamos sujeitos. Como aprender e guardar informações, se nossa atenção está dividida entre uma tarefa do trabalho, a TV ligada, o celular e um barulho que vem da rua? É uma tarefa complicada, porque a memória exige tempo e foco, exige uma interação com aquilo que está diante de nós. 

A professora Cristiane Furini diz que, se conseguirmos focar nossa atenção na informação que queremos guardar, ela será armazenada com mais facilidade. Uma estratégia para lidar com uma situação típica, esquecer onde se deixou o carro estacionado do shopping: antes de sair, lançar um olhar para o veículo, de modo a memorizar a visão que se vai ter ao voltar.

Combate o estresse
Aqueles esquecimentos do dia a dia – não lembrar onde ficaram as chaves, por exemplo – podem estar relacionados com estresse, um dos grandes vilões da memória. Quem está estressado apresenta maior dificuldade para aprender, memorizar e evocar lembranças. 

O professor da UFRGS Lucas Alvares cita uma ocasião em que foi assaltado. Na Delegacia de Polícia, ao fazer o boletim de ocorrência, era incapaz de recordar o número da carteira de identidade:

— É algo que eu sei, mas como estava nervoso, a informação não vinha, porque o estresse bloqueia o acesso. 

Tania Guerreiro sugere técnicas de interiorização e meditação com antídoto para o estresse.

Tenha um estilo de vida saudável
Pode parecer estranho, mas exercícios como a caminhada ajudam não apenas a melhorar o estado de ânimo da pessoa, mas também promovem a síntese de novos neurônios, principalmente no hipocampo, uma estrutura-chave para a formação de memórias.

A importância do dormir bem tem relação com o fato de, durante o sono, ocorrer um processo de consolidação das memórias. Mas não é apenas isso. Quem está cansado tem mais dificuldade para aprender e memorizar. 

É por essa razão que se costuma aconselhar, a quem está em preparativos para um vestibular ou concurso, que evita sacrificar os momentos de descanso para ter mais horas de estudo. Pode ser contraproducente.

Seja um eterno aprendiz
Tania Guerreiro, da Oficina da Memória, revela que um momento crítico costuma ser a passagem para a aposentadoria. E isso não tem nada a ver com algum declínio cognitivo associado à idade, mas com exigir menos do próprio cérebro:

— Tenho observado uma repercussão negativa na memória em pessoas que estavam em atividade, com grandes desafios intelectuais, e suspendem essa demanda intensa. É como se o cérebro se retraísse e as capacidades de memória ficassem meio entorpecidas.

A saída é matricular-se em um curso de línguas, fazer uma nova faculdade ou dedicar-se à alguma arte, à gastronomia ou a aprendizados motores, como aulas de dança e tai chi chuan. Viajar é útil, porque envolve a todo momento adaptar-se a experiências novas. 

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