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Opinião15/03/2019 | 16h35Atualizada em 15/03/2019 | 16h35

Nivaldo Pereira: a luz de Netuno

Para onde navegaremos nesse mar nevoento e incerto, entre imposturas e enganos?

Nivaldo Pereira: a luz de Netuno Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

 E lá se vai mais um verão! Dia 20, às 19h, chega o outono ao sul da Terra. No mesmo instante, inicia-se também o ano astrológico, com a entrada do Sol no signo de Áries. O fogo criador ariano convida a novas empreitadas, mas como começar algo se a energia de Peixes de dissolução e assimilação segue amplificada pela longa passagem de Netuno? Para onde navegaremos nesse mar nevoento e incerto, entre imposturas e enganos?

Certa vez, em águas do Pacífico, perguntei ao chileno capitão do navio como proceder durante tempestades e nevoeiros. Ele foi enigmático: “Todo habla”. Entendi que tudo fala: o céu, as águas, os ventos, as aves, os peixes, só precisamos decifrar os sinais. Como o céu está espelhado em nossa cultura, o difuso Netuno também vem dando pistas simbólicas de sua face mais luminosa: a compaixão.

Mas esse amor pela condição humana, que acolhe e inclui, não costuma rimar com poderes oligárquicos e privilégios de poucos. Penso nas eternas crises de uma América católica forjada na negação do povo. Aí leio a notícia de que o romance Cem Anos de Solidão vai virar série na Netflix. Gabriel García Márquez, o autor, era pisciano, e foi certeiro na motivação dos poderosos: “Acho que a incapacidade para o amor é o que os impulsiona a procurar o consolo do poder”. Bingo!

O cinema é arte de Netuno. Na recente edição do Oscar, o filme mexicano Roma se destacou pelo olhar sensível em torno de uma empregada doméstica. Ao trazer luz para uma mulher mestiça, pobre e migrante e dar-lhe a real grandeza, o filme chamou a atenção para os humilhados e oprimidos em tempos de agressivos muros a separar os humanos em categorias.

E Netuno rege o Carnaval, nosso delírio consentido. O desfile da carioca Mangueira arrebatou o país com a saga dos silenciados pela história oficial dos brancos colonizadores. Índios, negros e mulheres massacrados em sua dignidade foram resgatados pela arte. Neste e noutros episódios, o Carnaval fez a catarse de um Brasil que anseia por legitimação.

Tudo fala. Só falta entregar ao amor que une e aceita o leme de nosso navio. Queremos? Faremos?

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