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Opinião04/03/2019 | 07h00Atualizada em 04/03/2019 | 07h00

Marcos Kirst: a reincidênciados vândalos

Felizmente, sempre há quem resista às ondas cíclicas de ações anticivilizatórias

Bamiyan é uma cidade do Afeganistão situada a 240 quilômetros da capital Cabul e reconhecida como uma das regiões mais sagradas do mundo para os budistas. A Unesco elenca aquele vale como Patrimônio Cultural Mundial por situar-se na antiga Rota da Seda, que no passado interligava o comércio entre o Oriente e o Ocidente, e por abrigar diversos mosteiros budistas milenares. Encravadas nas rochas arenosas da região, os antigos monges esculpiram, entre os séculos IV e V d.C., as duas maiores estátuas de Buda em pé no mundo, uma medindo 38 metros de altura e a outra, 55 metros. As duas maravilhas arqueológicas eram consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade até o ano de 2001, quando foram destruídas por integrantes do grupo radical islâmico Talibã, que as bombardeou ao longo de 25 dias. Um atentado deliberado, cruel, sádico, estúpido e irreversível contra a Cultura, contra a Arte e contra o maior patrimônio humano, que é o fruto de seu talento criativo.

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A "Cidade Eterna" Roma, centro pulsante de um império que dominou o Mundo Antigo por séculos, também sentiu na carne o poder irrefreável da ânsia de destruição dos bens culturais e dos agentes de cultura ao ser submetida meia dúzia de vezes aos ataques de invasores bárbaros. Gauleses, visigodos, vândalos, hunos e ostrogodos sucederam-se, ao longo dos séculos, nos atos de saquear e destruir Roma e seus monumentos, suas estátuas, sua cultura em geral, até culminar na queda absoluta do Império Romano. O pouco que restou (frente ao que existia) encanta turistas do mundo inteiro até hoje. Os nazistas, ao tomarem o poder na Alemanha, já no século XX, não fizeram por menos e também logo elencaram a Cultura e seus artífices como inimigos a serem combatidos e destruídos. Disso resultaram atos como a queima de livros em praça pública, a perseguição a artistas e intelectuais e a ordem de Hitler de implodir os monumentos históricos de Paris quando os Aliados se aproximavam para libertar a "Cidade Luz" (então ofuscada pelas trevas do terror que a dominava), em 1944. Felizmente, não foi atendido por um oficial minimamente lúcido (o general Dietrich Von Choltitz, então comandante alemão da cidade), e a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo seguem em pé, irradiando História.

Sempre há quem resista às ondas de ações anticivilizatórias, pois que os vândalos retornam em ciclos dispostos a fazer terra arrasada da Cultura, das Artes, dos artistas e das tradições que dão sentido, permanência e identidade à existência dos povos. É preciso zelar, afinal, os talibãs estão sempre à espreita.

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