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Encontro Regional de Cultura30/03/2019 | 20h53Atualizada em 30/03/2019 | 21h01

Encontro de sábado revela o impasse da área cultural

Artistas, produtores culturais, conselheiros e representantes da Câmara de Vereadores estiveram no Sesc, menos o atual secretário de Cultura de Caxias

Encontro de sábado revela o impasse da área cultural Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Encontro teve um público de cerca de 50 pessoas, entre eles, Marco Aurélio (segundo à esq.) presidente do Conselho Estadual Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A tarde de sábado tinha tudo para ser um encontro de conciliação, de esclarecimentos e de apresentação de propostas concretas. E mais ainda, um tempo importante para que a Secretaria da Cultura de Caxias do Sul, sob a gestão de Joelmir da Silva Neto, pudesse explicar em detalhes qual é o seu projeto de política pública para o setor. 

Chama atenção ainda para o fato de um evento como este não ser realizado dentro de algum dos muitos espaços municipais, como o Teatro Pedro Parenti, da Casa de Cultura. o Encontro Regional de Cultura, ocorreu no Sesc, que, conforme o relato da classe artística, tem sido fundamental no apoio ao setor.

Nem mesmo a presença de Elaine Cavion, que é diretora de projetos da Secretaria Municipal de Cultura, suavizou as críticas que vieram de todas as frentes.

- Com certeza o secretário de Caxias está neste instante em um compromisso ainda mais importante do que este para não comparecer ao Encontro de Cultura - ponderou Marco Aurélio Alves, presidente do Conselho Estadual de Cultura, organizador do evento, juntamente com o Conselho Municipal de Política Cultural de Caxias do Sul.

Já o vereador Paulo Périco, do MDB, foi um pouco mais enfático:

- O secretário não vem aqui porque está a mando do prefeito (Daniel Guerra) - afirma o vereador, presidente da Comissão de Cultura da Câmara de Vereadores de Caxias.

A falta do secretário tem um agravante político ainda maior porque estavam presentes no Encontro Regional de Cultura, três dos últimos secretários de Caxias: Antonio Feldmann, Rúbia Frizzo e João Tonus, além do atual secretário de Bento Gonçalves, Evandro Soares.

A ideia do encontro era simples e clara: promover o diálogo dos setores culturais do interior do estado e estreitar os laços entre as lideranças culturais e o Conselho Estadual de Cultura. No entanto, o encontro foi pontuado por questionamentos, pertinentes, dos agentes culturais de Caxias, que reclamam posicionamento do secretário para ações efetivas e concretas.

- Não está havendo desmonte. Estamos trabalhando de forma aguerrida com as condições que nos dão - pontuou a representante da Secretaria da Cultura de Caxias, Elaine Cavion.

No entanto, vários artistas citaram antes do início das atividades, durante o encontro e após, diversos projetos extintos, como o Prêmio Anual de Incentivo a Montagem Teatral, ou descaracterizados, como o caso do GentEncena, que atualmente ocorre em moldes avessos a sua gênese,  ou ainda, o Financiarte, ceifado na sua quase totalidade, com corte de cerca de 90% dos recursos.

Essa é a avaliação da presidente do Conselho Municipal de Cultura, Magali Quadros, que além de citar os desmontes acima, revela, no final das contas, quem mais sai perdendo com isso:

- Quem mais é atingido é o público, é a cidade quem perde. Porque as pessoas deixam de ter acesso as atividades culturais e artísticas - argumenta.

Com relação aos cortes bastante significativos a que sofre a classe artística de Caxias, vide exemplo ao Financiarte, que de quase R$ 2 milhões a que seriam destinados em 2017, o edital de 2018 (que ainda não teve repasse aos artistas) ficou em R$ 150 mil.

- Queremos saber para onde foi esse dinheiro. Porque nós também fazemos projetos de cultura que beneficiam outras áreas e entidades como a APAE, que a atual administração não assiste - rebate o produtor cultural Robinson Cabral.

O encontro foi tenso e revela de forma muito clara como a falta de diálogo, como a falta de posicionamento por parte da gestão pública gera mais atrito do que apazigua e ordena um setor. Marco Aurélio, que dá palestras pelo estado sobre gestão cultural, deixou uma preciosa dica para a formatação das políticas públicas para Caxias:

- Façam o oposto do que está sendo feito em Caxias, que aí sim, estarão fazendo uma boa gestão cultural - provoca.

Com a baixa representatividade de Caxias e Porto Alegre, em se tratando de investimento ao setor da Cultura, a cidade de Bento Gonçalves mais uma vez vai receber o Congresso Estadual de Cultura, que ocorre de 15 a 17 de maio. Enquanto isso, em Caxias, Magali Quadros revela qual será o papel do Conselho Municipal:

- Precisamos focar em não perder mais do que já perdemos. Chega dessa brincadeira.

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