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Cinema20/03/2019 | 12h30Atualizada em 29/03/2019 | 07h08

Drama japonês indicado ao Oscar 2019 estreia em Caxias nesta quinta

"Assunto de Família" fica em cartaz na sala Ulysses Geremia

Drama japonês indicado ao Oscar 2019 estreia em Caxias nesta quinta Imovision/Divulgação
Direção é de Hirokazu Kore-eda Foto: Imovision / Divulgação

O Japão da tecnologia, dos prédios altíssimos e das ruas incrivelmente limpas. O Japão dos personagens macabros e das histórias de terror mais aterrorizantes. Ou o Japão super colorido dos mangás e das harajuku girls. Nenhum desses clichês sobre o país habita a história de Assunto de Família, estreia desta quinta-feira (21) na Sala de Cinema Ulysses Geremia, em Caxias. Representante do Japão na categoria Filme Estrangeiro do Oscar 2019 e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2018, o longa dirigido por Hirokazu Kore-eda (do aclamado Pais e Filhos) centraliza seus personagens num ambiente periférico cercado por entulhos e sufocantes espaços. Presos a essa espécie de casulo doméstico, os personagens conduzem um ensaio sobre a concepção dos laços familiares, um assunto cada vez mais explorado no cinema.

A cena de abertura de Assunto de Família mostra pai e filho furtando produtos de um mercado. Nesse primeiro momento, o diretor conduz sua história de maneira a causar afeição do espectador com a dupla de ladrões, afinal, é fácil perceber que eles são pobres e estão apenas tentando sobreviver. Esse sentimento fica ainda mais forte quando a dupla decide levar para casa uma menina que se encontra em estado de vulnerabilidade (maior que o deles, no caso). É inverno e a família composta por avó, um casal, uma moça recém-saída da adolescência e uma criança logo se afeiçoa pela ideia de amparar um quinto elemento. A menininha frágil, assustada e com ferimentos de violência doméstica parece ter encontrado seus salvadores num lar que tem condições precárias de sobrevivência, porém, afeto de sobra.

O inverno se transforma em verão e o incômodo estético conduzido pelo diretor agora surge com o sufocamento ainda mais claustrofóbico da apertada casa. Aos poucos, a história também vai mostrando a rotina de cada um dos integrantes da família quando não estão juntos. O emprego que mais chama atenção é o da jovem Aki (Mayu Matsuoka), que tira a roupa por dinheiro em cabines eróticas. Mas logo o roteiro vai pincelando cenas que revelam fragilidades veladas para cada um dos personagens, até cavar uma discussão final sobre as armadilhas contidas entre o que é certo e o que é errado.

O peso dos acontecimentos que conduzem a última meia hora de Assunto de Família parece se contrapor ao clima quase leve proposto anteriormente. O desfecho deixa a condição social enfrentada pelos personagens em segundo plano para focar em suas escolhas morais. A opção pelo formato de depoimento – o espectador vai descobrindo verdades enquanto os personagens respondem a interrogatórios policiais – pode soar um pouco preguiçosa se comparada a riqueza de detalhes que habita o resto do filme. No entanto, o corrido desfecho não é capaz de desvalorizar o olhar contemporâneo e demasiadamente humano de Kore-eda sobre o seio familiar e sobre que tipos de laços são capazes de conectar as pessoas.

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