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Opinião15/02/2019 | 15h36Atualizada em 15/02/2019 | 15h36

Pedro Guerra: a tragédia de cada um

A dor de hoje é o vazio de amanhã. O que hoje arde, amanhã  já cicatrizou

Pedro Guerra: a tragédia de cada um Antonio Giacomin / Divulgação/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação / Divulgação

Estou me mudando. Para um libriano, essa sentença é desconfortável, já que adoramos o equilíbrio, a estabilidade de todas as coisas. Mudar significa começar de novo, refazer isso e aquilo, criar novas rotinas e desafiar-se o tempo todo. Em breve, estarei em outra casa vivendo um dia a dia ímpar, e entender que estamos crescendo e mudando e aprendendo nem sempre é fácil.

Nestas horas, cada qual com as suas tragédias. O meu pai brigando com os complicados manuais de montagem dos móveis que comprei pela internet, a minha mãe na cozinha em silêncio tirando as etiquetas de toda a louça nova, aos poucos entendendo que chegou a hora que toda mãe quer adiar, e eu prestes a explodir com os prestadores de serviço que não gostam de cumprir prazos.

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Tive que aprender a inspirar. Respirar a gente respira o tempo todo, mas inspirar nós só inspiramos quando realmente sentimos ser necessário. A calmaria é mais difícil de alcançar do que qualquer turbulência. Sempre meio estourado, tive que manter a calma quando o box do banheiro deu aproximadamente 1.423 problemas. Afinal, o apartamento é meu, e em descontrole eu não faria nada. Cabia a mim resolver – cada um com a sua tragédia.

Aquele que eu sempre fui queria gritar, reivindicar um serviço melhor. Aquele que eu devo ser permaneceu em silêncio, ciente de que nada se resolve no grito. Neste processo de transição, entre o que deixo para trás e o que muda comigo (literal e metaforicamente), é claro que não obtive sucesso de imediato. Conversando com o montador do box problemático, expus a minha frustração, e ele, sem rodeios, comparou o meu drama daquele dia com tantos outros que existem mundo afora.

Fiquei mal na mesma hora.

Quando ele foi embora, pensei melhor: uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cada qual com a sua tragédia. Somos assim, humanos vivendo e aprendendo e tentando aos poucos melhorar. A frustração faz parte, o drama de cada dia também. Cada um deita no travesseiro todas as noites com alguma coisa em mente, e é nessa hora que bate aquele medo, aquela insegurança: será que eu vou dar conta?

Vamos.

Todos nós vamos sobreviver. Porque as pequenas tragédias do dia a dia são necessárias para entendermos que lá na frente elas nem mais farão sentido. A dor de hoje é o vazio de amanhã. O que hoje arde, amanhã já cicatrizou.

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