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Opinião18/02/2019 | 07h00Atualizada em 18/02/2019 | 07h00

Marcos Kirst: o orgulho dedona Luciene

São fartas em convicções éticas na medida inversa de seus recursos financeiros

Desde a segunda-feira da semana passada, nós, brasileiros, não podemos mais esquecer da existência do distrito paulista de Pirituba, situado na Zona Oeste da capital daquele Estado. Ao longo desta segundana crônica, esclareço o porquê. É naquela região que reside uma senhora chamada Luciene Terto da Silva, de 53 anos, com seu marido, Humberto Manoel dos Santos, de 57. A julgar pelas fotos e imagens veiculadas pelos órgãos de imprensa de todo o país, percebe-se que são pessoas humildes, de parcos recursos, trabalhadoras, honestas, fartas em convicções éticas na medida inversa de seus recursos financeiros. Iguais, portanto, a uma parcela enorme de brasileiros que encaram cotidianamente a difícil missão de conduzir suas vidas em um país frequentemente hostil com sua própria população.

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Mas o casal Luciene e Humberto ganha a mídia e um lugar na história recente do país devido a um aspecto que os define e sobre o qual talvez nem eles mesmos tenham consciência clara: eles são pais de uma boa pessoa. Isso, em um país assolado pela falta de ética, pelo egoísmo, pelo crime despudorado em todas as esferas, pelos desmandos, pela impunidade e pela falência da vida em sociedade, é mais do que um alento, é um patrimônio humano inestimável, passível de acolher os cuidados que se direciona a uma espécie em extinção. Luciene e Humberto são os pais da vendedora paulista Leiliane Rafael da Silva, de 28 anos, a "Mulher-Maravilha" que, na segunda-feira passada, ao deparar com o trágico cenário da queda de um helicóptero em plena Rodovia Anhanguera (que resultou nas mortes do jornalista Ricardo Boechat e do piloto Ronaldo Quattrucci), saltou da moto em que trafegava com o marido e encarapitou-se na cabine destruída do caminhão atingido pela aeronave, a fim de salvar o motorista caxiense João Adroaldo Tomackeves. Seu ato de altruísmo percorreu o país e o mundo. Leiliane não pensou em si e nas consequências que o ato poderia acarretar à sua saúde, fragilizada por uma doença rara. Ela agiu movida pela convicção enraizada em sua índole, de que é preciso fazer o bem. E fez.

Em Pirituba, portanto, mora uma pessoa de bem. Não há satisfação que se compare à dos pais de Leiliane, embalados pela convicção de que colocaram no mundo uma boa pessoa. O Beatle Paul McCartney, certa vez, em entrevista, declarou que ele e sua então esposa, Linda Eastman (que morreu de câncer em 1998), tinham apenas um desejo para seus filhos: o de que fossem boas pessoas. Basta isso, porque isso faz toda a diferença. Paul sabe disso. Dona Luciene e seu Humberto também.

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