Vida de promoter: profissão exige responsabilidade e flexibilidade - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Almanaque18/01/2019 | 13h54Atualizada em 19/01/2019 | 10h42

Vida de promoter: profissão exige responsabilidade e flexibilidade

Desde a década de 1990, o cenário noturno passou por diversas mudanças

Vida de promoter: profissão exige responsabilidade e flexibilidade Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Leandra Romani, Caroline Polly e Paulinho Silva relembram momentos da noite caxiense nos anos 1990 Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Uma atividade simples e recheada de badalação. É dessa forma que muitos enxergam a rotina de um promoter, afinal, basta divulgar o evento, levar convidados e se divertir. Porém, o dia a dia de quem trabalha na área é muito mais árduo do que aparenta ser. A jornada é puxada e os desafios são constantes. Ao menos é o que contam Leandra Romani, Caroline Polly e Paulinho Silva _ que animavam a noite caxiense nos anos 1990. 

_ O sucesso da festa estava na nossa mão, era a gente quem fazia dar certo ou não. Toda a semana tínhamos que criar novos eventos, sempre com um tema diferente. E se a casa não lotasse era nosso problema_ afirma Leandra, uma das primeiras mulheres a trabalhar como promoter na cidade.

Com o passar dos anos, as dificuldades da carreira se alteraram. Para Deiwid Zottis (Zero 54), Bruno Vargas (Bulls Brasil) e Felipe Esteves (Level Cult) _promoters de casa noturnas conhecidas em Caxias_, o desafio atualmente está em atrair novo público para espaços já consagrados. 

_Não tem tanto essa pressão de lotar a casa. Acho que a dificuldade mora em ter que conquistar novas pessoas ao mesmo tempo em que você valoriza quem já te frequenta_ explica Zottis.

Todos bacharéis em Relações Públicas, Leandra, Caroline e Silva, se conheceram nos clubes da época e mantêm uma amizade que já dura mais de 15 anos. Entre as diversas memórias acumuladas ao longo do tempo, eles relembram com carinho as atividades diárias do promoter da época.

_A gente fazia várias festas. Tinha a Factory, o Fórum Espaço Bar, a Entre Amigos. Nossa, nós virávamos noites etiquetando flyers e correspondência. A gente sabia nome, sobrenome e onde as pessoas moravam. Gastava-se horrores com os correios_ conta entre risos, Caroline.

Hoje, o desenvolvimento do universo digital mudou a forma como informações relacionadas aos eventos são consumidas. Isso porque grande parte dos contatos e convites são feitos por meio das redes sociais. Porém, o que pode ser encarado como uma facilidade apresenta, também, suas desvantagens. 

_Muito da divulgação dos eventos acontece nos nossos perfis pessoais. Estamos sempre convidando as pessoas nas redes. Isso é bom, porque é prático. Mas, ao mesmo tempo, é um pouco cansativo. Temos que estar sempre disponíveis para os clientes e a todo o momento tem gente nos ligando e mandando mensagens_ diz Vargas, que há oito anos atua como promoter.

Avaliando diferenças e semelhanças entre as festas da década de 1990 e as atuais, Silva recorda a força dos eventos promovidos pelas rádios e clubes da cidade. Ele comenta que até hoje a noite movimentava grandes somas e é um investimento interessante para quem estiver disposto a se arriscar. Comparando o comportamento do público atual com o da época, o relações públicas afirma que a forma como os jovens aproveitam as festas hoje é diferente: 

_As pessoas estão muito preocupadas em postar o que está acontecendo e me parece que as pessoas estão mais cansadas. Na nossa época não tinha isso, nós fazíamos festa de quinta a domingo e tínhamos muito gás. O pessoal ia para curtir, para botar o pé na jaca, mesmo. 

O produtor da Level Cult, como prefere ser chamado Esteves, concorda parcialmente com Silva.

_Os jovens estão pensando, sim, em estar nas redes sociais. Mas, a galera ainda quer sim aproveitar a festa e dançar muito, isso não mudou.

O certo é que trabalhar promovendo a diversão é uma atividade prazerosa. Muito além do glamour, ser promoter significa colocar a mão na massa e fazer acontecer, como resume, Leandra:

_Ser promoter é um trabalho, sim. É puxado, tem responsabilidade, mas o legal é que a gente trabalhou se divertindo, sempre. 

Leia também:  
Do Arrepio ao Passo do Inferno: uma viagem pelas curiosas localidades dos Campos de Cima da Serra
Com 75 anos de carreira, Demônios da Garoa retorna ao RS neste final de semana



 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros