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Opinião11/01/2019 | 15h34Atualizada em 11/01/2019 | 15h43

Tríssia Ordovás Sartori: agradece e desapega

Além de ajudar a organizar a bagunça, Marie Kondo estimula um descarte consciente e afetivo

Trissia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

O Netflix lançou a primeira temporada de Ordem na Casa com Marie Kondo, série com oito episódios sobre a influência da arrumação na vida das pessoas e me deixou encantada. Marie Kondo é uma japonesa especialista em organização e já apareceu na lista das 100 pessoas mais influentes da revista norte-americana Time.

Eu já tinha ouvido falar um pouco sobre ela – embora não tenha lido nenhum dos quatro livros que escreveu e cujo best-seller A Mágica da Arrumação é número 1 da lista do New York Times –, mas nada se compara ao fascínio de vê-la trabalhar. Pequena e delicada, ela provoca sentimentos controversos ao primeiro olhar. 

Ela é fofa e promete mudar a vida das pessoas a partir da ordem na casa, porque as pessoas acabam percebendo que desarrumação dos espaços físicos é uma metáfora para as próprias vidas. Elas se assustam ao ver o tamanho da bagunça com que precisarão lidar e também com a calma e praticidade com que Marie conduz tudo.

Claro, dá muito trabalho se desfazer de anos de acúmulo de pertences e também se despende muita energia durante o processo. O objetivo final é tornar o lar um espaço não só de ordem, mas de serenidade.

O Método KonMari estabelece cinco etapas de arrumação – por categoria e não por cômodos. Começa-se pelas roupas, passando por livros, papéis, komondo (que são itens diversos que aparecem principalmente na cozinha e garagem) e, por fim, objetos sentimentais. 

Para roupas, por exemplo, ela convida o usuário das peças a tirar tudo dos armários e concentrá-las em um monte em determinado cômodo. É interessante ver o primeiro choque das pessoas, ao perceberem acumularam tanto ao longo dos anos. Começam, antes de fazer as escolhas sobre o que fica e o que sai, a se dar conta da quantidade de coisas desnecessárias que guardam. Não é exatamente isso que a gente faz?

Passado o impacto, Marie explica a forma de trabalho: a pessoa precisa pegar peça por peça, para sentir a energia da roupa e perceber se ela a faz feliz ou não. Em caso positivo, deve mantê-la no acervo, em caso negativo, descartá-la. E antes do descarte agradece por tê-la podido usar. É um desapego consciente e afetivo – e cada um faz isso com seus pertences.

Imagino que para quem não viu a cena, isso esteja parecendo estranho à medida que o texto é lido, mas garanto que se trata de uma experiência muito interessante (inclusive para o espectador, que passa a repensar muitas coisas). Serve como uma baita provocação, mostrando que a casa e a vida simplificadas são muito mais fáceis de administrar, geram mais felicidade e menos estresse. A síntese de tudo isso também é incrível: devemos guardar só o que traz bons sentimentos. Quer lição melhor pra começar o ano?

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