Tríssia Ordovás Sartori: tal qual um peixinho dourado - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião14/12/2018 | 18h12Atualizada em 14/12/2018 | 18h12

Tríssia Ordovás Sartori: tal qual um peixinho dourado

O ponto de vista dentro de um aquário redondo ajuda a teorizar sobre a(s) realidade(s)

Tríssia Ordovás Sartori: tal qual um peixinho dourado Fábio Panone Lopes / Divulgação/Divulgação
Foto: Fábio Panone Lopes / Divulgação / Divulgação
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Lições de vida do físico e pesquisador Stephen Hawking serviram de inspiração para bilhetes de boas-vindas que escrevemos (Andreia, Babi e Shirlei) para os receber os colegas na nova redação integrada de Pioneiro, Gaúcha Serra e RBS TV Caxias, no prédio do Centro, na segunda-feira passada. Uma das que escolhemos diz que “o mundo é bem maior que os seus olhos”. À primeira vista, pode parecer quase uma afronta, mas é o oposto disso e é bastante simbólica. 

A ideia é inspirada em um excerto da obra O Grande Desígnio, que faz referência à uma decisão tomada pela prefeitura de Monza, cidade italiana mais conhecida por ter uma edição disputada de Fórmula 1. A deliberação diz respeito à proibição da criação de peixes dourados em aquários redondos.

O cientista ajuda a explicar o porquê: nesse contexto, o peixe vai ter uma visão distorcida da realidade.

Ao teorizar sobre a sentença, ele explica que “a visão do peixinho dourado não é a mesma que a nossa, mas o peixinho dourado ainda pode formular leis científicas que governam o movimento dos objetos que observam fora de seu aquário. Por exemplo, devido à distorção, um objeto em movimento livre seria observado pelo peixinho dourado como movendo-se em curva. No entanto, o peixinho dourado poderia formular leis a partir de seu quadro de referência distorcido que sempre seria verdadeiro. Suas leis seriam mais complicadas do que as leis de nossa estrutura, mas a simplicidade é uma questão de gosto.”

É, meus caros, não dá pra ter certeza se o que estamos vendo é o que é ou o que achamos que é. Ou o que parece ser. E ter isso em perspectiva traz uma leveza necessária à vida, não? A incerteza não deve ser motivo de angústia, mas uma possibilidade de aceitar o imponderável. Nós somos apenas um pedacinho do todo. Vale sempre perguntar: essa é a realidade ou é a minha realidade? O problema é tão grande como enxergo? A dificuldade é superlativa? Quão limitados estamos?

A constatação pode ser angustiante ou deliciosa: não dá para dissociar a realidade de nossa visão sobre ela. Então, mudar a realidade significa mudar a forma de olhar para a realidade. No exercício contínuo de olhar através do vidro, temos a vantagem de poder sair do aquário sempre que quisermos.

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