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Opinião28/12/2018 | 15h33

Tríssia Ordovás Sartori: a vida é agora

Comecei a pensar em como deve ser difícil o exercício de recolher pertences com pressa, antes de sair de casa e por tempo indeterminado

Tríssia Ordovás Sartori: a vida é agora Fábio Panone Lopes / Divulgação/Divulgação
Foto: Fábio Panone Lopes / Divulgação / Divulgação
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Ao fazer um quase automático balanço do ano, provocado pela proximidade de 2019, deparei-me com a história dos moradores do Edifício Vêneto, situado no Centro de Farroupilha. Devido à explosão em um dos apartamentos na quarta-feira – que danificou o andar, a fachada, deixou estragos e feridos – 16 famílias precisaram se mudar temporariamente até que os riscos sejam afastados e o imóvel possa ser reabitado. Engenheiros garantem que não há risco de desabamento.

Li a entrevista da empresária Tamara Verdovelli, que mora embaixo da residência que explodiu. Acordou com o barulho e o gesso do teto caindo sobre a cama, saiu do prédio correndo. Além da incerteza sobre o futuro, ela relata que, passadas algumas horas, teve apenas 15 minutos para retornar ao apartamento e buscar o que achasse necessário: "conseguimos pegar só roupas. No banheiro, não pudemos entrar, porque ele está com uma fissura e não liberaram a entrada. Eu só queria pegar minhas coisas e ir para casa dos meus pais", contou à colega Lizie Antonello.

Não a conheço, assim como nenhuma dessas pessoas que foram arbitrariamente tiradas de casa. Mas imediatamente comecei a pensar em como deve ser difícil esse exercício de recolher pertences com pressa, antes de partir para um lar temporário. Como se faz isso? Já passei por algumas mudanças e não tenho dificuldade em desapegar de bens materiais, mas a situação é bem diferente. Com tempo, a gente consegue revisitar a mobília, a memorabilia e escolher o que vai guardar. Nesse caso, numa saída imperiosa, o que vem primeiro na lista de importância? E se não der para voltar?

Roupas básicas para passar os próximos dias, algum sapato, kit de higiene pessoal, documentos? Ou isso tudo mais a coleção de miniaturas, a mecha de cabelo do filho, o chapéu que foi do pai? Ou ainda a coleção de discos raros de vinil e as cartas trocadas com amigos na adolescência? Na hora do choque, parece que as pessoas tentam ser práticas ao deixar o apartamento todo destruído. E o Réveillon? Será que tinham planejado passar em casa? Receberiam visitas para a ceia?

Essa é a prova de como a vida é agora, é urgente e pulsa. Claro que é bom e saudável fazer planos, pensar no futuro, ter metas a cumprir, mas a gente só muda a realidade (e ela, a nós) no hoje. Esse novo ano que se avizinha traz consigo a esperança de transformação e realizações, mas a chave para conquistar isso não está nos dias que virão, está em nós e na nossa capacidade de viabilizar os sonhos no presente.

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