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Almanaque14/12/2018 | 14h00Atualizada em 14/12/2018 | 14h00

Nivaldo Pereira: De Sócrates a Ofélia

Buscar uma ordem superior para tudo é meta das flechas de Sagitário, signo regido por Júpiter

Nivaldo Pereira: De Sócrates a Ofélia Fredy Varela / Divulgação/Divulgação
Foto: Fredy Varela / Divulgação / Divulgação
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

No século V a.C., o filósofo grego Sócrates teria reagido a elogios à sua sabedoria com a frase: “Só sei que nada sei”. Há 50 anos, Ofélia, personagem de um humorístico na tevê, lançava o bordão: “Eu só abro a boca quando tenho certeza”. A comparação é cruel: Sócrates era um sábio; Ofélia, uma imbecil hilária, mas ambas as frases revelam distintos modos de formular o conhecimento das coisas. Buscar uma ordem superior para tudo é meta das flechas de Sagitário, signo regido por Júpiter.

A posição desse maior planeta do sistema solar em nosso mapa astrológico indica a moldura de nossa visão sobre questões também maiores. Nosso sistema de crenças, o propósito da vida, a fé e até a imagem de Deus surgem dessa moldura. Parafraseando Fernando Pessoa, somos do tamanho do que vemos. A vida vem, então, enquadrada por nossos prévios conceitos e certezas pessoais. Ter uma “cabeça aberta” e ser tolerante a outras visões ou ser dogmático e punitivo em relação aos divergentes são efeitos possíveis de nossas convicções, que, embora subjetivas, as tomamos como naturais e absolutas.

Júpiter rege a nossa capacidade mental de criar símbolos e de lhes atribuir sentido. Em nível coletivo, sociedades se estruturam a partir de símbolos partilhados. Quantos sentidos rígidos nos são impostos pelas culturas e tradições! Se a norma geral decreta: é assim porque sempre foi assim, corre-se o risco de preconceitos embasarem leis e de grupos dominantes imporem seus cânones pessoais como parâmetros de comportamento e retidão. No extremo, isso pode resultar em estados teocráticos e fundamentalismos.

Com a diversidade expressiva dos signos do zodíaco, sugerindo múltiplas formas de conceber a vida, a astrologia nos informa que não há uma única Verdade. O que há são verdades definidas pelas percepções individuais ou culturais. E a todas cabe respeito. Questionar sempre e não se deixar cegar pela própria visão foi um alerta do sábio Sócrates, ao afirmar: “A vida irrefletida não vale a pena ser vivida”. Infelizmente, o mundo anda infestado de Ofélias, com suas bocarras cheias de certezas. E isso não é nada engraçado.

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