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Cinema06/12/2018 | 07h00Atualizada em 06/12/2018 | 07h00

Com Gael García Bernal, comédia "Estás me Matando Susana" estreia em Caxias

Filme entra em cartaz na Sala Ulysses Geremia

Com Gael García Bernal, comédia "Estás me Matando Susana" estreia em Caxias Mares Filmes/Divulgação
Sessões ocorrem de quinta a domingo Foto: Mares Filmes / Divulgação

O astro mexicano Gael García Bernal parece referenciar um dos produtos mais exportados de seu país de origem – as novelas – no longa Estás me Matando Susana, estreia desta quinta (06) na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Mas fique tranquilo, a obra do diretor Roberto Sneider não traz o galã vestido em roupas bregas, usando um bigode duvidoso ou chamando sua amada por nomes compostos. Pelo contrário, Gael usa aqui a roupagem contemporânea do legítimo homem “descolado”, sim, entre aspas porque o descolado aqui também representa um monte de coisas que precisam ser desconstruídas. O lado mexicano que mais aflora no personagem Eligio é mesmo o da veia dramática para lá de exagerada – o próprio nome do filme já dá pistas disso. O roteiro escolhe acompanhar pela perspectiva masculina um caso onde a maior vítima é a mulher. Assim, o espectador vê as fragilidades do protagonista desfilando na tela, ganhando tons que vão do dramalhão à comicidade.

A história de Estás me Matando Susana começa quando a personagem do título decide sair de casa. Escritora, ela se muda para os Estados Unidos para participar de um concurso de contos e também para fugir da cafajestagem do marido, um ator muito chegado a noitadas, farras e casos extraconjugais. Quando se dá conta de que foi abandonado, Eligio se desespera de uma maneira praticamente infantil, inclusive ligando para a polícia para registrar o “desaparecimento” da esposa – mesmo ela tendo levado todos pertences pessoais consigo. Inicia aí o périplo do personagem na tentativa de resgatar a esposa, que ele trata como uma espécie de propriedade.

A todo momento, Eligio se coloca em situações que o expõem ao ridículo – arruma briga, chantageia, trai, chora e esperneia – e apontam para uma leve crítica do roteiro ao machismo velado presente nas relações. As vontades e frustrações de Susana não ganham muito destaque, são somente contempladas por meio do olhar infantil e dramático do personagem masculino. Essa escolha narrativa escancara ainda mais a instabilidade de Eligio. Se a mulher é costumeiramente taxada como “a louca” das relações, fica claro que aqui é o contrário. 

Como a maior parte da história se passa nos Estados Unidos, onde o marido abandonado vai em busca da ex, há muitas cenas cômicas que sugerem o embate de culturas tão diferentes como a americana e a mexicana. As brigas públicas do casal – num espanhol muito rápido, em tom sempre alto, envolvendo choro e embates físicos – são motivo de estranhamento aos costumes locais. Aliás, as cenas cômicas concedem um bom campo para Gael exibir seu talento. O premiado ator mexicano contribui muito para o sucesso da narrativa, garantindo ótimos momentos na telona.

Além de incitar – se posicionando de forma tímida – uma boa discussão sobre os papéis nas relações, Estás me Matando Susana também preenche lacuna como filme de entretenimento. E soma-se a isso um ótimo trabalho de trilha, com o melhor do rock mexicano.    

Programe-se
:: O quê: comédia mexicana Estás me Matando, Susana, de Roberto Sneider.
:: Onde: Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312).  
:: Quando: estreia nesta quinta (06) e fica em cartaz até o dia 16, com sessões de quinta a domingo, às 19h30min.
:: Quanto: R$ 10 e R$ 5 (estudantes, beneficiários ID Jovem, idosos e servidores municipais).
:: Classificação: 14 anos.
:: Duração: 102min.


 
 
 

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