Ciro Fabres: o subgerente do banco - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião12/12/2018 | 07h31

Ciro Fabres: o subgerente do banco

Ibiraiaras, cidade de 7 mil habitantes. Pacata, é o que se costuma dizer de cidades desse tamanho

O subgerente do Banco do Brasil em Ibiraiaras tinha 37 anos. Entrara no banco em 2005. Morava em Passo Fundo. Estava trabalhando em Ibiraiaras há três meses. Tinha uma história, uma trajetória pessoal, mas teve a vida abreviada naquela tentativa de assalto a duas agências bancárias que resultou também em seis dos envolvidos mortos em confronto com a Brigada. 

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O subgerente tinha esposa e duas filhas, de 10 e de 6 anos, que moravam em Passo Fundo. Ele hospedava-se em um hotel em Ibiraiaras, cidade de 7 mil habitantes. Pacata, é o que se costuma dizer de cidades desse tamanho. Essa característica não pode mais aplicar-se a elas desde que se disseminaram os ataques a agências bancárias de pequenos municípios do interior, em cidades onde o crime organizado sabe que há poucos policiais. 

Os sobressaltos são frequentes. Logicamente, o funcionário do Banco do Brasil e seus familiares jamais imaginariam o enredo que estava por vir. O saldo do confronto, com seis assaltantes tirados de circulação, foi efusivamente comemorado por parte da população.

Isso é o que importa, pensa muita gente. Foi visível nas redes sociais. A compreensível angústia com a impunidade evoluiu para um punitivismo e um enfrentamento a qualquer custo. O presidente eleito dá a senha quando imita uma arma com as mãos, gesto de campanha. Em outra ocasião, havia dito: "Se vão morrer inocentes, tudo bem. Em tudo que é guerra, morrem inocentes." Mas tem o funcionário do banco. 

Vidas que se perdem são custo elevado demais. Quem se envolve com o crime sabe que morrer em confronto é uma possibilidade. E paga para ver. Perdas de guerra, todas são, pois essa guerra contra o crime, contra a violência, não deveria ter razão de ser caso outra condução, historicamente, fosse dada aos rumos do país, com ênfase na educação. Mas vidas perdidas como a do funcionário do Banco do Brasil são outra modalidade de "perda de guerra". Elas são pedagógicas quanto às consequências do enfrentamento a qualquer custo. O recado que transmitem pode ser melhor entendido, quem sabe. Dias depois, mais seis reféns morreram em outro confronto no Ceará.

A senha foi dada. Quem é indiferente a "perdas de guerra" não vai gostar quando tiver de experimentá-las bem de perto. O enfrentamento faz parte. Pode ser necessário e até decisivo. É uma escolha difícil. Só sabe quem está na linha de frente, os policiais, em contato direto com as circunstâncias. Mas a esposa, as duas filhas e os demais familiares do subgerente do banco hoje convivem com a ausência. Senhas não devem ser subestimadas.

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