Adriana Antunes: animais abandonados - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Opinião18/12/2018 | 06h02Atualizada em 18/12/2018 | 06h02

Adriana Antunes: animais abandonados

Ter animais em casa é uma questão de amor e quando se ama, se tem responsabilidades

Dias atrás li numa revista que apenas 6% dos animais domésticos chegam à velhice na casa dos seus primeiros donos. A maioria acaba sendo abandonada, morre de maus-tratos ou simplesmente não se reconhece aquela vida de quatro patas como sendo uma vida. Eu estou dentro dos 6%, e com muita alegria.

Leia mais
Adriana Antunes: eu e o guindaste
Adriana Antunes: o fim 

Vamos aos números: Bibi, chegou ainda filhote, vindo de uma ninhada de oito em que ajudamos a distribuir os pequenos pela vizinhança, está hoje com 23 anos. Danton é outro cachorro, também chegou filhote, mas veio porque a família que o tinha adotado engravidou e não quis mais ter cachorro junto, hoje está com 16 anos. Camélia é uma linguiça de 14 anos. Chegou no dia de Natal, há cinco anos, fora atropelada e deixada na estrada para morrer. Eu e uns primos a socorremos. Fidel é um york shire de 11 anos, nos chegou filhote porque era portador de uma doença crônica e os primeiros donos não queriam arcar com a medicação. Blanca Nozes é uma gata branca de nove anos, chegou recentemente. Seu dono tinha mais de 85 anos, estava muito doente e não tinha mais como cuidar dela. Fizeram uma postagem num grupo de watts e lá fomos nós atrás da pequena. Capitu é uma gata caramelo, tem 8 anos, eu a encontrei dentro de um saco amarrado, jogada dentro de um esgoto. Os irmãozinhos morreram, mas consegui salvar a Capitu que hoje é a sujeita mais antissocial de humanos que conheço. Ela tem lá suas razões e eu concordo. Paçoca está com um ano, está conosco desde o início. Fora colocado para adoção porque tem um defeito na pata dianteira e estamos fazendo uma adaptação à vida para ver se conseguimos manter a pata, sem amputá-la. E por fim, temos a Neblina, uma gatinha cinza de dez meses que só tem um olho e que foi dada para adoção porque as pessoas não querem adotar animais "defeituosos".

Sim, são muitos, é verdade. É um trabalho imenso. Ração, medicação, cuidados com o calor, com o frio, com as pulgas, com os carrapatos. Eles têm seus humores, seus espaços, suas próprias vontades. Ter animais em casa é uma questão de amor e quando se ama, se tem responsabilidades. Como todo amor. É preciso saber que eles vão viver por muitos anos e que não é admissível, que por estarmos com problemas ou simplesmente sem paciência, podemos coloca-los dentro do carro e soltar na rua ou no mato para que morram ou sejam adotados por outros. Estamos há uma semana do Natal e aqui no bairro já contei quatros cachorros abandonados. Para quem me lê há tempos, sabe que já falei disso antes, mas como animais abandonados nunca se extinguem, volto ao tema. E lembrem-se: a maneira com que tratamos aos animais, diz que tipo de sociedade somos.

Leia também
Nova camiseta da Soama já está à venda em Caxias
Caxienses do duo Grogue fazem turnê uruguaia
Na cozinha: para enfrentar o calor, sorvete de frutas vermelhas com banana

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros