Zé Pretim, que agrega ao blues as raízes da música brasileira, estreia em Caxias do Sul no MDBF 2018 - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Música21/11/2018 | 06h30Atualizada em 21/11/2018 | 06h30

Zé Pretim, que agrega ao blues as raízes da música brasileira, estreia em Caxias do Sul no MDBF 2018

Cantor ganhou destaque com versões blues para músicas como "Asa Branca", "Luar do Sertão" e "Juazeiro"

Zé Pretim, que agrega ao blues as raízes da música brasileira, estreia em Caxias do Sul no MDBF 2018 Aurélio Vinicius/Divulgação
Zé Pretim é um dos grandes nomes do blues nacional que irão passar pelo MDBF 2018 Foto: Aurélio Vinicius / Divulgação

Qualquer um que se interesse por blues e já foi atrás da história dos principais nomes do gênero, deparou com um traço em comum em suas biografias: a vida marcada por todo tipo de privações e dificuldades e a superação pela arte. No Brasil, poucos artistas que se aventuraram no ritmo que nasceu no delta do Mississippi podem se considerar tão blueseiros quanto José Geraldo Rodrigues, o Zé Pretim, atração inédita do 11º Mississippi Delta Blues Festival, que inicia amanhã em Caxias do Sul. 

Origem humilde na zona rural de Inhapim-MG (seu primeiro instrumento, um cavaquinho, foi adquirido pela mãe em troca de cinco quilos de feijão); aprendizado musical autodidata com os ouvidos grudados no rádio; mudança com a família para o Mato Grosso do Sul, onde se aprimorou como músico e fez parte de bandas de rock n' roll; a descoberta do blues e o início da carreira solo tocando nos perigosos garimpos no interior do Pará; rodar o Brasil tocando em bares e restaurantes por cachês miseráveis. Até se tornar um nome conhecido no meio musical (sua vida mudou ao ser descoberto pela jornalista da Rede Globo Mariana Godoy, que fez a ponte até o Programa do Jô, em 2005), Zé Pretim viveu o blues de uma maneira muito próxima a de Robert Johnson, Muddy Waters e B.B. King. Mas o que ele encontrou no ritmo vai além da admiração pela música.

— Eu nasci com um dom e apaixonado pela música. Toco vários estilos, mas foi com o blues que me identifiquei mais e estou levando essa bandeira. Blues para mim é paz, harmonia, amor, respeito, repartir e pensar no outro, ter humildade. Eu sou simples, nunca quero tudo pra mim. Levo a minha vida com blues, paz e amor — diz o músico, de 64 anos. 

Além da técnica apurada e da voz rouca e potente, outra característica marcante no som de Zé Pretim, que no MDBF tocará acompanhado de Caio Ignácio (bateria) e Sydney Valle (baixo), são as releituras com pegada blueseira para clássicos da música brasileira, como Asa Branca, Juazeiro, Chico Mineiro, entre outros. É quando se encontram o menino de origem caipira e o homem tocado pela música negra norte-americana, mostrando que, quando se fala de sentimentos, a linguagem é universal. O estilo, contudo, é único.

— Acho que fui descobrindo meu jeito de tocar e cantar, porque ficar imitando os outros não é a minha praia. No começo tu tem que se inspirar em alguém, mas com o tempo fui encontrando a voz que me representa e que eu posso fazer bem — destaca.

No início deste ano, Zé Pretim foi uma das atrações do festival Psicodália, em Rio Negrinho-SC. O MDBF será sua primeira apresentação no Rio Grande do Sul. 

Onde e quando
Zé Pretim se apresenta no Hopson Stage (palco principal do MDBF), quinta-feira, às 22h15min, e no Mississippi Stage, sábado, às 20h e 21h.

 
 
 

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