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Música02/11/2018 | 08h00Atualizada em 02/11/2018 | 08h00

Projeto RAPajador mistura hip hop e cultura gaúcha em Caxias

Mc Chiquinho Divilas, acordeonista Rafael De Boni e DJ Rudi lançam iniciativa neste domingo, durante Aldeia Sesc 

Projeto RAPajador mistura hip hop e cultura gaúcha em Caxias Lucas Amorelli/Agencia RBS
De Boni, Rudi e Chiquinho conduzem o projeto Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

As coxilhas do Sul do país são cenário para um encontro imaginado entre o poeta e pajador gaúcho Jayme Caetano Braun (1924-1999) com o rapper Mano Brown, do icônico grupo Racionais MC's. De Braun pra Brown surgem muitos pontos em comum, da veia contestatória do discurso ao apreço  pela palavra. Nessa mesma sintonia vibra o projeto RAPajador, que o MC Chiquinho Divilas, o acordeonista Rafael De Boni e o DJ Rudi lançam oficialmente neste domingo, às 18h30min, em apresentação gratuita no Monumento Nacional ao Imigrante. O encontro de Braun com Brown, inclusive, povoa uma das letras do grupo, celebrando esse abraço cultural entre identidades. "Dos cantos e melodias / eterna sabedoria/ e distante de sua estância/ de fatos e circunstâncias/ Brown não se acanhou / a prosa mal começou / chamou o Bigode Branco / e criaram o RAPajador".

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O show integra a programação do Aldeia Sesc Caxias, que neste ano celebra temática da cultura afro, que também guia as composições do RAPajador. A voz de Chiquinho Divilas reverbera gritos abafados dos lanceiros negros e referencia ícones como César Passarinho _ que cantou pela liberdade racial no clássico O Negro de 35, canção sampleada numa das faixas do RAPajador.

— Tem essa reflexão sobre quem são nossos heróis. Seguimos com a nossa veia do questionamento, cobrando o que a história não nos mostra — aponta Chiquinho, autor das letras.

O acordeonista Rafael De Boni já é adepto ao flerte com outros ritmos há tempos, tem trabalho sólido tanto ao lado do violeiro Valdir Verona como junto com o duo eletrônico CCOMA, por exemplo. Ele conta que esses passeios fora do habitat natural levam o acordeom a superar uma imagem de "instrumento de velho".  

— Fiz algumas participações nas palestras do Chiquinho nas escolas, também estivemos no Case (Centro de Atendimento Socioeducativo), e sempre gera curiosidade, a gurizada vem cumprimentar e querer saber mais sobe a gaita — comemora De Boni.

Mas para conduzir uma mistura bem feita, os integrantes do RAPjador elegem o respeito às diferenças como linha guia. A ideia é agregar sonoridades de forma harmônica, sem nunca forçar o verso.  

— O acordeom é o instrumento símbolo do Rio Grande do Sul e nesse projeto procuramos um diálogo, tudo feito com muito respeito às duas culturas presentes, para não ficar algo forçado ou caricato. Tem horas que é uma pajada que encontra um rap, tem hora que é o contrário. Se o ouvinte quiser encontrar o rap, vai; se quiser encontrar milonga, também vai — diz De Boni.   

— O acordeom é usado aqui com a mesma ideia de que a guitarra não pode ser uma "arma" só do rock — compara Carlos Balbinot, o quarto elemento do RAPajador, responsável pela gravação e produção do primeiro EP do grupo, no estúdio Noise. 

PROGRAME-SE
:: O quê: lançamento do projeto RAPajador, na programação do Aldeia Sesc.
:: Quando: neste domingo, às 18h.
:: Onde: Monumento Nacional ao Imigrante.
:: Quanto: entrada franca.

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