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Opinião09/11/2018 | 15h21Atualizada em 09/11/2018 | 15h21

Pedro Guerra: não custa nada

Gentileza e empatia são duas características quenão custam absolutamente nada a ninguém

Pedro Guerra: não custa nada Antonio Giacomin/reprodução
Foto: Antonio Giacomin / reprodução

Fui ao médico no mês passado porque queria saber se estava tudo bem com o meu coração - falo da sua estrutura, da pressão arterial, e não dos sentimentos e da bagunça interna. Entre um exame e outro, o médico resolveu verificar as veias das minhas pernas e acabou descobrindo algo que eu nem tinha sequer cogitado examinar. Até aí, tudo maravilhoso. O problema mesmo foi o jeito que ele me noticiou tudo aquilo que ia encontrando pelo meu corpo: nada delicado. Pensei que ia morrer. Sério.

O doutor fez questão de repetir umas 17 vezes que as minhas veias estavam maiores do que o normal, e a sua voz era tão arrastada que eu, ansioso que só, tratei logo de me autodiagnosticar: aquele era o meu fim. Neste meio tempo, o meu cardiologista “de verdade” (e não o médico-examinador-assusta-pacientes) entrou na sala e perguntou se tudo estava bem. Como eu sou uma pessoa sem papas na língua, soltei uma risadinha forçada e falei que a última coisa que me restava era saber quanto tempo de vida eu tinha pela frente. Ambos os médicos riram. Já eu, fiquei sério.

Pedro Guerra: Um lugar silencioso

Fiz questão de deixar claro que, pelo jeito que eu recebi as constatações do médico-examinador ao navegar com aquele aparelho (potencialmente roubado dos extraterrestres) pelo meu corpo, a única linha possível de pensamento lógico era acreditar que eu estava mal das pernas - literalmente.

Percebendo a burrada, o examinador disse que estava tudo bem, mas é óbvio que para um neurótico como eu isso não foi o suficiente. Precisei sentar frente a frente com o meu cardiologista para averiguar se de fato eu não estava no grupo de risco daqueles que já estão partindo dessa para uma melhor. Foi aí que o meu médico foi exatamente tudo aquilo que o examinador não tinha sido: gentil. Afinal, gentileza e empatia são duas características que não custam absolutamente nada. E, olha só, eu adoro (e aposto que você que me lê também).

Saí do consultório e comecei a listar mentalmente tudo aquilo que não nos custa e que, mesmo assim, refutamos em colocar em prática. Aqui no meu prédio, por exemplo, tem uma vizinha que nunca responde o meu bom dia no elevador ou nos corredores. Já pensei em perguntar para ela o que diabos eu fiz para não merecer a reciprocidade do cumprimento, mas tem algumas coisas que a gente simplesmente deixa pra lá porque percebe que o problema está nos outros, e não em nós. Sejamos, então. Empáticos, gentis. Preocupados. Solícitos. Respeitosos.

Eu adoro desejar um bom trabalho para a atendente da loja da esquina, fazer uma brincadeirinha com a empacotadora do supermercado que conta para a moça do caixa sua história de amor que chegou ao fim, chamar um amigo só para perguntar se ele está bem, agradecer as pequenas coisas, elogiar alguém sem pretensão alguma, e por aí vai. Por quê? Bom... É que não custa nada mesmo.

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