Nivaldo Pereira: a arte de resistir - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Opinião16/11/2018 | 15h44Atualizada em 17/11/2018 | 14h23

Nivaldo Pereira: a arte de resistir

Um poema, um filme, uma canção: que não se subestime o poder da criação artística de reavivar o essencial no homem

Nivaldo Pereira: a arte de resistir Rodolfo Guimarães / Agência RBS /Agência RBS
Foto: Rodolfo Guimarães / Agência RBS / Agência RBS
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Se em Libra a arte é um discurso estético visando beleza e harmonia, em Escorpião ela é revelação do oculto e arma de resistência em tempos difíceis. Um poema, um filme, uma canção: que não se subestime o poder da criação artística de reavivar o essencial no homem. A arte sempre ameaça os tiranos e os hipócritas porque, como reflexo do claro espírito, nunca se afasta da liberdade e da verdade. Diante de ameaças de obscurantismo, que cantem os escorpianos, que espalhem na noite luminosos versos de coragem.

Leia mais
Além dos mais de 70 shows, confira o que fazer e assistir no Mississippi Delta Blues Festival, que inicia quinta-feira
Confira a programação cultural para este fim de semana na Serra Gaúcha
Tríssia Ordovás Sartori: novas experiências
Saiba cuidar das mini árvores

O canto cortante de Belchior soa como um guia contra o desânimo. Mesmo diante de sinais fechados, o poeta não se dá por vencido: "Não cante vitórias muito cedo, não / nem leve flores para a cova do inimigo". Em luto, assume as perdas: "Tudo poderia ter mudado, sim / pelo trabalho que fizemos, tu e eu / mas o dinheiro é cruel / e um vento forte levou os amigos". Então, avalia o que ficou: "Palavra e som são meus caminhos pra ser livre / e eu sigo, sim / faço o destino com o suor da minha mão". E a força renasce: "A voz resiste, a fala insiste, você me ouvirá / a voz resiste, a fala insiste, quem viver verá".

Na real, viver pressupõe decepções, consequências do sonhar. Paulinho da Viola ilustra: "E o que passou foi embora / e o que vem não se sabe / sozinho a gente chora". Mas não há o que nos impeça de levantar e prosseguir, seja de tombos lá fora ou cá dentro do peito: "E a vida continua / esse é um dito que todo mundo proclama / o consolo dos aflitos / e a desilusão de quem ama". Sim, a vida sempre continua em outros quereres, novas paixões.

Cantor das travessias, Milton Nascimento fez de sua arte um farol e vai "caminhando pela noite de nossa cidade / acendendo a esperança e apagando a escuridão". O artista espalha o convite: "Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova / Viver semeando a liberdade em cada coração / Tenha fé em nosso povo que ele acorda". Assim, juntos, "aquecidos pelo sol que vem depois do temporal", povo e artistas seguirão a "cantar semeando um sonho que vai ter que ser real".

E quem há de duvidar dos sonhos dos artistas?

Leia também:
3por4: MDBF 2018 terá estreia da montagem coreográfica "Overseas"
3por4: Monte Belo do Sul tem festival dedicado ao turismo neste sábado
3por4: Gramado recebe loja da Perky Shoes  

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros