Marcos Kirst: a lógica de achar o pepino - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião05/11/2018 | 05h05Atualizada em 05/11/2018 | 05h05

 Marcos Kirst: a lógica de achar o pepino

A lógica é essa: induzir o consumidor a perambular por entre todos os setores

As coisas têm lógica, madama, as coisas sempre têm alguma lógica, mesmo que seja oculta, mas têm. Cabe a nós, viventes, aprendermos a aguçar os sentidos e tentar detectar as lógicas (às vezes aparentemente ilógicas) existentes por trás de algumas coisas que nos intrigam. Por mais inocentes que pareçam à primeira vista, algumas atitudes e padrões podem estar sendo tomados com a intenção de obedecer a lógicas ocultas que atendem aos interesses de alguns setores. Algumas, de consequências inocentes e admissíveis; outras, nem tanto. É nessas outras que mora o perigo.

Atentei para isso dia desses quando fui ao supermercado cumprir uma lista de compras que resultaria no prato especial definido para o jantar. Na seção dos hortifrútis, fui dirigindo o carrinho por entre os setores, atrás das maçãs, dos limões e dos pimentões necessários para preparar o acepipe que logo mais deleitaria as gustativas papilas minhas e da esposa (os demais ingredientes já estavam em casa, à espera, conforme a madama já suspeitou). Foi no momento da pesagem dos produtos, junto à balança administrada pela sorridente funcionária postada ali no meio do setor, que percebi haver adquirido somente produtos de cor verde (a maçã era verde, o pimentão, também, bem como os limões). "Tudo verde hoje!", exclamou a funcionária. "Tudo verde, mesmo!", repeti, surpreso. E saí dali pensando...

Não seria mais fácil para o consumidor se os supermercados agrupassem por cores os produtos hortifrutigranjeiros nesses setores? Ali num canto, os verdes (além dos já citados, as alfaces, a rúcula, as melancias intactas, os pepinos, as abobrinhas...); ali no outro, os vermelhos (as maçãs, os pimentões vermelhos, os moranguinhos, as melancias cortadas, as beterrabas...); adiante, os alaranjados (as laranjas, as abóboras, as cenouras, os mamões...); ao lado, os amarelos (bananas,

carambolas, mangas, os pimentões amarelos, mandioquinhas em cubos...) e assim por diante? Economizaríamos tempo indo direto à cata de nossas necessidades por cores, ao invés de perder tempo, como eu, feito mosca tonta, em busca de visualizar onde diabos meteram dessa vez o repolho-roxo?

Mas não, né madama, a lógica é exatamente essa: induzir o consumidor a passear por entre todos os setores, quando então estará sujeito a deparar com uma brilhante e convidativa caixa de suculentas peras que não estavam na lista, mas que irresistivelmente terão de ser levadas para casa. Essa a lógica, madama. Nesse caso, inocente, válida, competitiva, compreensível, simpática, até. Mas tem outras, e essas outras...

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