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Opinião 14/11/2018 | 06h37Atualizada em 14/11/2018 | 06h37

Ciro Fabres: o pulso da cidade 

É preciso virar o jogo. Fazer a cidade pulsar nas ruas, nas praças, tornar Caxias encantada.

 Não é um momento dos melhores. O pulso da cidade ainda pulsa, sim, em geral em batimentos alucinados, mas a cidade está sem brilho, seus moradores limitam-se a movimentar-se de um lado para o outro, a correr atrás tão somente. Atrás do que, exatamente, nem todo mundo sabe. Precisa muito mais. Precisa encantamento, vibração, pulsação vital. Não deixemos por menos.

O Juventude, por exemplo. O Juventude sucumbiu. Despencou à Série C. E o pior, despencou desanimado, sem esboçar uma reação. O Caxias está na Série D, e olhe lá. O basquete acabou, já não há mais vôlei, futebol de salão. O esporte de base, individual, capaz de promover um aprendizado de vida para crianças e adolescentes, esse praticamente nunca houve. Falta estímulo. Como uma cidade do porte de Caxias do Sul, meio milhão de habitantes, com sua força econômica, não se organiza o suficiente, não firma parcerias para fazer refletir essa força no esporte?

O Centro de Cuidados Nossa Senhora da Paz vai fechar. Dezenas de crianças que tinham alguma ocupação passarão a não ter. Notícia péssima que chegou esta semana. Uma lacuna aberta, que tem consequências sérias. Caxias já padece com adolescentes e jovens vítimas da violência sem que a cidade considere esse assunto prioritário. Para prevenir essa grave situação, oferecer ocupação é o melhor antídoto. Pois é justamente o contrário que acontece. Vai fechar um centro de cuidados.

Más notícias. E saúde, segurança e educação tropeçam.

Pantográficas fechadas são um símbolo  do Centro que adormece a partir dos fins de tarde. A vida se vai por lá, aos poucos. A pulsação é só para se deslocar rápido, não para aproveitar o Centro. O que é a Avenida Júlio ao anoitecer? O cenário é melancólico. Pantográficas baixadas são reflexo de um Centro que não é valorizado, e resulta uma cidade sem atrativos em sua área vital.

A Festa da Uva, tudo indica, não vai ir até a cidade. A cidade não vai respirar e transpirar Festa da Uva. Vai ficar confinada, lá no canto. Festa na praça, nos bairros, nas escolas, vai haver pouco. Apenas dois desfiles serão na Sinimbu, para não estorvar. A cidade não assume a Festa como sua, como festa dos moradores, como precisa ser.

É certo que há sinais, alguma pulsação. A economia se recupera aos poucos, é muito importante. Uma vez por ano, há um concerto de primavera. Um festival de blues vem aí, a solidariedade sobrevive, mas isso não tem sido suficiente para imprimir encantamento na cidade, nas pessoas.

É preciso virar o jogo. Fazer a cidade pulsar nas ruas, nas praças, tornar Caxias encantada. Não se pode deixar por menos.

 
 
 

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