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Opinião21/11/2018 | 15h37Atualizada em 21/11/2018 | 15h37

Ciro Fabres: o lugar da parada livre 

A fraude mais recente foi essa mostrada domingo agora, no Fantástico, do auxílio-reclusão

 Definitivamente, não é um bom momento. Caxias do Sul tem adquirido uma projeção nacional que não se recomenda. De alguma forma, chega a sugerir algum grau de parentesco distante com aquelas cidades fictícias de novelas, onde acontecem coisas surpreendentes. Exagero? Pois bem. Por aqui, começaram a aparecer pescadores na fraude chamada do seguro defeso, aquele seguro para pescadores em épocas em que a pesca é proibida para procriação dos peixes. Pescadores em Caxias, não é criativo? A fraude mais recente foi essa mostrada domingo agora, no Fantástico, do auxílio-reclusão, que exige de seus autores ir atrás de reunir protagonistas e documentar relações entre pessoas comuns e presidiários, ou então pessoas comuns tornadas presidiárias e casadas com quem não conhecem. Um enredo de novela. Deve dar um bom trabalho. Pois é: para não perder o fio da meada, essa tem sido a projeção nacional de Caxias do Sul. Constrangedor.

E tem o Juventude. A projeção é para baixo, uma projeção nacional às avessas. Não satisfeito com o rebaixamento, o Juventude ainda fincou raízes na vice-lanterna da Série B, isto é, na penúltima colocação. Dali não sai, para o Brasil ver. Reuniram-se em uma só campanha a falta de planejamento, de investimento, de qualidade e de apoio da comunidade, neste último caso, sem parcerias ou patrocínio de peso. Além de constrangedor, é incompreensível, e um atestado nada inteligente de indiferença à força do esporte.

E tem a cereja do bolo, retomando algo próximo de uma cidade caricata, em descompasso com o mais contemporâneo e universal: a não-autorização pela prefeitura para a Parada Livre realizar-se na Praça Dante é inacreditável. E inconcebível. A sugestão dada aos organizadores de fazer a programação em um ambiente fechado, é quase um deboche.

Paradas livres são realizadas há décadas, programações incorporadas com tranquilidade à vida de cidades importantes. É manifestação saudável de parte da comunidade, assim como outras partes se manifestam, como se viu agora no domingo com a Marcha para Jesus, quando não houve restrição alguma. Assim deve ser. Manifestação que só precisa de comunicação a uma administração municipal para harmonizá-la com o ritmo da cidade. Sendo em um domingo, não há maiores dificuldades. Pois em Caxias há esse retrocesso gritante, a indicar uma dificuldade surpreendente e desatualizada de convivência com a pluralidade, com risco de expor outra vez a cidade. É tão exorbitante a desautorização à Parada Livre, e ainda pior, sem explicações, que surpreende a falta de barulho, de manifestações e de iniciativas de entidades e órgãos, entre eles a Câmara de Vereadores e o Ministério Público, para orientar o rumo dos acontecimentos.

É o que temos, essa Caxias tipo exportação. Definitivamente, não é um bom momento. 

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