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Opinião12/10/2018 | 13h15Atualizada em 12/10/2018 | 13h15

Pedro Guerra: caminhos alternativos

Gostamos de dizer que a rotina é um saco, mas custamos a tentar outros caminhos que nos levem ao mesmo lugar

Pedro Guerra: caminhos alternativos Antonio Giacomin/reprodução
Foto: Antonio Giacomin / reprodução

Eu adoro caminhar na rua. Nem venha querer me convencer da praticidade de utilizar uma esteira que para mim as duas coisas não têm nem comparação. Sempre achei um inferno ter que ficar mais do que dez minutos em um aparelho que simula caminhada, porque para mim o ato de caminhar envolve todo o cenário que nos rodeia.

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Comecei a reparar que utilizo sempre o mesmo caminho para chegar até a academia. E como ele é longo, estou automaticamente livre de esteiras, obrigado. Escolhi um trajeto que fosse fácil, é claro: sem morros e com bastante pessoas para evitar qualquer medo de ser assaltado. Hoje, acostumado, termino o meu percurso com rapidez, mas mesmo assim posso dizer que encontro uma nova crônica a cada caminhada. São pessoas diferentes, com olhares e jeitos únicos, que provavelmente guardam histórias que eu jamais vou descobrir.

Acontece que eu enjoei de fazer o mesmo caminho todos os dias.

Ontem eu tentei algo novo, só para testar: escolhi a rua paralela para voltar para casa. Além de descobrir novos prédios, lojas, e até mesmo enxergar um ritmo de movimentação bem diferente da qual eu estava acostumado, senti mais prazer no meu percurso. E foi aí que eu comecei a contar mentalmente quantas ruas diferentes eu poderia escolher para cruzar a cidade _ e provavelmente todas elas me brindariam com uma descoberta incrível e única.

Você já parou para fazer o teste? Basta ir até o centro da cidade e mudar o foco do seu olhar, mesmo estando parado. Em vez de olhar para frente, comece a olhar para cima. Eu posso jurar que você vai descobrir prédios incríveis que nunca viu antes, sem falar das construções mais antigas que a gente nunca nem se deu ao trabalho de reparar. Elas estão ali, estiveram o tempo todo. E nós não enxergamos o que está na nossa frente por hábito, preguiça, ou até comodismo de fazer sempre o mesmo.

Talvez esse seja um dos nossos tantos defeitos enquanto seres humanos imersos em um mundo esquizofrênico. Gostamos de dizer que a rotina é um saco, mas custamos a tentar caminhos alternativos que nos levam ao mesmo lugar, mas com uma intensidade de jornada totalmente diferente. Nós nos apegamos aos caminhos mais curtos, simples, pouco desafiadores, sem lembrar que talvez precisemos justamente do contrário.

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