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Opinião05/10/2018 | 12h30Atualizada em 05/10/2018 | 12h30

Nivaldo Pereira: passeata libriana

Era para ser uma simples passeata imaginária, pedindo paz e amor, neste ciclo de Sol em Libra

Nivaldo Pereira: passeata libriana Rodolfo Guimarães/
Foto: Rodolfo Guimarães
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Era para ser uma simples passeata imaginária, pedindo paz e amor, neste ciclo de Sol em Libra. Mas os librianos envolvidos, com o toque refinado da onipresente arte, fizeram da caminhada um corso encantador, ilustrando valores do signo da balança. E falando em balança, surge ela, enorme, num carro alegórico inaugural. Num dos pratos, Tarcísio Meira está de pé; no outro prato, Glória Menezes. Os parceiros de vida e de arte vêm de mãos dadas, a esquerda dele na direita dela, e esse laço é o fiel da balança: a união dos opostos, a sintonia da troca, o respeito e o amor como resultado.

A pé, carregando um estandarte bordado, desses com fitas coloridas e fuxicos, passa Vinicius de Morais. O poetinha acena e aponta para a mensagem no estandarte: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." Logo atrás do poeta, Gal Costa e Adriana Calcanhotto cantam em dueto suavíssimo: “Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome”. E abrem caminho para o cineasta Pedro Almodóvar em alegre e colorido bando de mulheres e travestis. São as cores tantas da alma humana, são a ética e a estética de toda forma de amor.

E aparece outro estandarte, carregado pelo escritor Oscar Wilde: "Tornar-se obra de arte é o objetivo da vida." Provocativo, Wilde, em traje de cetim brilhante, toma uma taça de espumante e atira beijos. A seguir, sobre um tablado com as laterais ornadas por muitas rosas, o compositor Cartola é pura elegância em sua postura tímida, atirando pétalas no ar. Sim, as rosas falam que a delicadeza é humana. As rosas exalam a verdade de que produzir beleza não depende de condição social.

Agora vem uma multidão vestida de branco, a pomba da paz impressa nas camisetas. Quem segura o cartaz “Faça amor, não guerra"? É o John Lennon, claro! Alguém carrega nos ombros Mahatma Gandhi, outros exibem a faixa: “Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio". O cortejo passa, perfume de rosas fica no ar. O clima é de plena união. E o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz.

 
 
 

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