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Opinião08/10/2018 | 13h29Atualizada em 09/10/2018 | 05h00

Adriana Antunes: escolhas

Eleger é escolher a ideia que mais amamos

Aos 11 anos ganhei um bicicleta de natal. Menos de um ano depois (bem menos), eu dei a bicicleta a um menino que chorando me parou na rua para contar que sua casa havia pegado fogo e sua bicicleta, igualzinha a minha, tinha queimado. Não pensei duas vezes, desci dela e a entreguei para o guri. Até hoje, quando conto esta história, escuto que fui tola, que era conversa do garoto e que eu cai nela. Meu pai, que a tinha me dado de presente disse que a próxima bicicleta eu teria de comprar com meu próprio dinheiro. Tentei me justificar e dizer que acreditava na dor do menino, mas não teve jeito, voltei a ir para a escola a pé. Sem saber direito, mas já fazendo, eu havia feito uma escolha. Escolhi acreditar. Acreditar na história triste do menino da casa queimada, acreditar que as pessoas podem realmente estarem falando a verdade, acreditar nas pessoas e no seu lado bom. 

Nossa vida é feita de escolhas. Escolher é um dos elementos centrais de nossa história. E a mudança acontece muitas vezes sem que consigamos controlar a direção que toma. Escolher não é fácil. Estar diante de uma encruzilhada e ter de escolher qual direção seguir causa angústia. E a vida é cheia de encruzilhadas. Não me arrependo de ter dado a bicicleta ao menino. Nunca soube se ele estava ou não dizendo a verdade. Não importa. Fiz e faria tudo outra vez, porque ainda acredito nas pessoas. 

É preciso lembrar-se do que passou, das escolhas que fizemos. Isso nos ajuda a entender quem somos, onde estamos e porque chegamos até aqui. O que tenho aprendido é que não sei de nada que seja mais poderoso do que nos permitir afetar pelo outro, por mais difícil que isso possa ser, pois é o outro que nos permite ser e mostrar quem somos. Assim como sei que não há nada mais triste do que não poder completar quem, de tão desprotegido pela vida, se faz nosso. 

O amor, às vezes nos aparece de maneira estranha, para testar se realmente carregamos dentro de nós o gérmen da empatia. Vivemos tempos sombrios. Às vezes parece que o ódio e a intolerância são capazes de apagar a claridade e o bom senso. Quando tudo se escurece em demasia, penso que as escolhas precisam ser escolhas de paz. Assim como Valter Hugo Mãe falou no domingo de eleições, eleger é escolher a ideia que mais amamos.

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