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Opinião08/09/2018 | 11h11Atualizada em 08/09/2018 | 11h11

Tríssia Ordovás Sartori: presente no presente

"Estamos sozinhos em nosso próprio mundinho, tentando dar conta de mil tarefas ao mesmo tempo"

Tríssia Ordovás Sartori: presente no presente Fábio Panone Lopes/
Foto: Fábio Panone Lopes
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Estava lendo uma entrevista do ex-presidente do Uruguai José Mujica, motivada pelo sucesso que tem feito no Festival de Cinema de Veneza. Ele está lá representado com dois filmes – Uma Noite de 12 anos, de Álvaro Brechner, e El Pepe, Uma Vida Suprema, de Emir Kusturica – e, por isso, concedeu entrevista coletiva à imprensa para ajudar a divulgar os trabalhos. Em uma das perguntas, ele afirma a solidão é um dos castigos mais duros aos quais um ser humano pode ser imposto. 

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Tão ruim quanto a imposição é a solidão circunstancial: conseguimos estar solitários mesmo no meio de um monte de gente. E conseguimos estar perto de muitos sem prestar atenção em quase nenhum deles. Estamos jantando com a família e pensando na classificação do time no Brasileirão ao mesmo tempo. Estamos dirigindo e olhando para a tela do celular, escovamos os dentes  e escutamos rádio, participamos de reuniões sem tirar os olhos da caixa de entrada de emails. Raramente estamos integralmente dedicados a uma atividade, seja ela qual for. Estamos sozinhos em nosso próprio mundinho, tentando dar conta de mil tarefas ao mesmo tempo.

Na noite de domingo, já começamos a pensar nos afazeres da segunda-feira: acordar cedo, arrumar-se para o trabalho, realizar tarefas que ficaram pendentes e programar o que está por vir. Muitas vezes, não estamos vivendo aqui e agora — o tal mindfullness, o estar com atenção plena, com a consciência no presente. Costumamos criar um espaço vazio quando focamos no que acontecerá amanhã ou com o que deu errado ontem, ficamos entre o "e se" e o "talvez".

Desperdício total. Na vida real a gente não consegue voltar para o futuro, tal qual Marty McFly no filme. E, embora a gente costume guardar os bons momentos em algum lugar do passado, deveria pensar "o que estou fazendo neste exato instante?" e tentar prolongar esses acontecimentos.

Quando não estamos completamente concentrados naquilo que fazemos, perdemos chances de ótimas experiências – oportunidades de amar, de aprender, de rir, de chorar. Viver, sentir prazer e dor imediatos. Vale tentar o exercício de estar mais presente no presente da própria vida, nem que seja só para variar.

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