Natalia Borges Polesso: leme - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião28/09/2018 | 10h56Atualizada em 28/09/2018 | 10h56

Natalia Borges Polesso: leme

Quero estar mais conectada a práticas que procuram fazer do mundo um lugar menos cruel

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Essa semana, a seguinte frase passou pelos meus olhos: "Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes." É uma citação do livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, grande educador, que poderia ter surgido em qualquer parte do mundo, mas para nossa sorte, nasceu brasileiro, de Recife.

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Eu tenho um sonho. Tenho projetos aliados a esse sonho. Quero cada vez mais estar conectada a práticas que procuram fazer do mundo um lugar menos cruel. Um lugar onde LGBT+s não morram por crimes de ódio; um lugar onde mulheres possam realmente ser livres em suas escolhas sejam elas relativas à beleza, segurança ou à vida; um lugar que não cometa nem apoie o genocídio das populações negras e indígenas, aliás, um lugar que reconheça a necessidade de reformas territoriais e políticas. Eu sonho com um lugar que não paute a existência de uma democracia pelo viés econômico. Sonho com políticos que sejam excelentes gestores públicos, e que por entenderem seus papéis não tratem a administração pública como privada. Estado não é empresa, não pode operar na lógica da exploração. Eu sonho com mulheres negras na política, mulheres lésbicas, mulheres quilombolas, indígenas. Eu sonho com educação gratuita e de qualidade; sonho com educadores e educadoras valorizados, que possam cumprir seu trabalho amoroso de forma saudável, prezando o pensamento livre, criativo e autônomo.

E se não estou neste mundo para apenas me adaptar a ele, mas para realmente transformá-lo, sinto que preciso usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar dos meus sonhos, mas participar de práticas coerentes com eles. Concordo com Paulo Freire. Portanto, sinto que este espaço me foi muito importante, e agradeço imensamente por tê-lo aproveitado. Mas agora quero propor outros diálogos e outras práticas em espaços outros. Se utopia significa um lugar que não é possível agora, que ela sirva de leme, que nos guie pelos caminhos que construirão lugares onde nossa existência plena seja possível.

 
 
 

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