Livro "Pátina do Tempo", de Dilva Slomp Conte, tem lançamento neste sábado, no Museu Municipal - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Memória14/09/2018 | 16h04Atualizada em 14/09/2018 | 16h25

Livro "Pátina do Tempo", de Dilva Slomp Conte, tem lançamento neste sábado, no Museu Municipal

Solenidade oficializa também a doação de peças antigas do acervo têxtil da família, como os corpetes dos vestidos de casamento da autora e da mãe, e lençois do início do século 20

Livro "Pátina do Tempo", de Dilva Slomp Conte, tem lançamento neste sábado, no Museu Municipal Arte de Bernardete Conte sobre foto de acervo de família / divulgação/divulgação
Detalhe da capa do livro, que tem lançamento neste sábado, no Museu Municipal Foto: Arte de Bernardete Conte sobre foto de acervo de família / divulgação / divulgação

O passado, o presente e o futuro das famílias Slomp, Lain e Conte estarão em evidência neste sábado à tarde, no Museu Municipal de Caxias do Sul. É quando ocorre o lançamento do livro Pátina do Tempo: Lembranças da Filha de uma Imigrante no Sul do Brasil, com as memórias da escultora Dilva Slomp Conte, 87 anos, mescladas a uma ampla pesquisa histórica perpassando quatro gerações. 

Mais do que um evento literário, a celebração oficializa também a doação de peças importantes do acervo têxtil da família ao museu, entre elas os corpetes dos vestidos de casamento de Dilva e da mãe, Vergínia, usados respectivamente em 1906 e 1956, e os lençois de linho do enxoval de ambas, destacados na publicação (confira trechos abaixo).

As memórias "da Forqueta" – onde Dilva nasceu, em 1931 – norteiam boa parte do livro. A autora, porém, retrocede algumas gerações e "viaja" a Europa para entender a trama que liga os antepassados italianos a seus descendentes espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Nessa jornada, contextualiza o cenário que levou os avós maternos, Giovanni e Maria Madalena Lain, a abandonarem o Velho Continente em busca de uma nova vida na América; a história que seus pais, Joaquim Slomp e Vergínia Lain, construíram em Forqueta a partir do casamento, em 1906; o pioneiro comércio de secos & molhados de Joaquim; a estação ferroviária; a trajetória da cooperativa mais antiga da América Latina; a juventude; a constituição de sua própria família, a partir da união com Joel Conte (in memoriam), em 1956; os filhos e os sonhos que deposita em seus netos.

Toda essa relação de fortes laços afetivos, aliás, pode ser resumida em uma das fotos mais emblemáticas do álbum de família de dona Dilva e que também integra o livro (abaixo): o casamento com Joel no mesmo dia da celebração das bodas de ouro dos pais, Vergínia e Joaquim, em 15 de setembro de 1956, há exatos 62 anos. Uma data que merece, portanto, todas as comemorações neste sábado... 

Tim-tim!

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O casamento e as bodas de ouro em 1956: Joel e Dilva Conte com Vergínia Lain e Joaquim SlompFoto: acervo de família / divulgação
O casamento de Joel e Dilva em 15 de setembro de 1956Foto: acervo de família / divulgação

Objetos e obras

A solenidade deste sábado dá sequência a recente entrega de duas obras de dona Dilva de extrema relevância para a história e o patrimônio cultural da cidade: a escultura Anjo Samuel, inaugurada em junho, na Praça Fábio Formolo, em frente ao Cemitério Público Municipal; e o busto de Primo Slomp, seu irmão, eternizado em bronze no Museu da Uva e do Vinho de Forqueta desde 18 de agosto.

Além do lançamento do livro e da doação das peças, o público poderá conferir uma exposição de objetos pessoais e obras da escritora e artista, além de explicações sobre seu processo criativo.

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Originais de 1956: o corpete do vestido e o lençol de Dilva Conte, que serão doados oficialmente ao Museu Municipal neste sábadoFoto: acervo de família / divulgação
Originais de 1906: o corpete do vestido e o lençol de Vergínia Lain, que serão doados oficialmente ao Museu Municipal neste sábadoFoto: acervo de família / divulgação
A escritora e escultura Dilva ConteFoto: Marcelo Casagrande / Agência RBS

Trechos do livro

"Meu vestido foi confeccionado por uma costureira de Caxias, a Zita Franzoi.  Doei o tule das saias para a igreja de Forqueta, que serviram para enfeitar o andor do nosso Santo Antônio na procissão pelas ruas do po­voado. ... Devo agradecer a Deus a vida auspiciosa que nos concedeu, foi muito misericordioso com toda a família".

"O lençol de linho foi o primeiro do meu enxoval... Nosso lençol de núpcias foi ricamente bordado em cri­vos pela Flora Tauffer, exímia bordadeira, esposa do Paulo e mãe do Sedenir. Minha blusa de noiva também era lin­da, de renda branca chamada "chantilly", rebordada com pequenas pérolas nacaradas. Tinha uma saia de armação engomada embaixo; e em cima, duas saias de tule godê ponche, amplas e sobrepostas; ficavam fofas e leves, pa­recia uma nuvem esvoaçante. Estava muito feliz por casar com meu amado Joel. Ele estava mais lindo do que nunca! Acho que era o reflexo da felicidade que pairava sobre nós preconizando anos felizes, como de fato foram e viemos a celebrar bodas de ouro, como meus pais, com grande festa no Hotel Samuara".

"... o lençol de casal da minha mãe, feito de linho, com mais de meio metro de crochê feito à mão e preguinhas, feitas pela sua irmã mais velha, Marieta. Guardo também a blusa do vestido de bodas de minha mãe, que era azul-marinho. De acordo com registros históricos, não usavam vestido branco para se casar. A blusa é de um tecido acetinado, com mangas bem bufantes até os cotovelos, depois seguem bem justas ao longo dos antebraços até os punhos. Nessa parte das mangas havia rosas de renda branca aplicadas, e a manga era fechada por uma fileira de pequenos botões de madrepérola. Na gola da blusa tinha, também, as mesmas aplicações. A saia devia ser também azul-marinho, e a cintura bem justinha, o que a deixava bastante elegante! Acho que a mãe usava espartilhos, pois encontrei um no meio dos entulhos do sótão da nossa casa".

Foto: acervo de família / reprodução

Programe-se

:: O que: lançamento do livro Pátina do Tempo: Lembranças da Filha de uma Imigrante no Sul do Brasil, de Dilva Conte, e exposição de objetos pessoais e obras da artista

:: Quando: neste sábado, às 15h. A exposição segue até o dia 22 de setembro, de terça a sexta, das 9h às 17, e aos sábados, das 11h às 17h

:: Onde: Museu Municipal de Caxias do Sul (Rua Visconde de Pelotas, 586)

:: Quanto: entrada franca

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