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Literatura03/09/2018 | 09h57Atualizada em 03/09/2018 | 09h57

Em oficina, escritor Tiago Marcon traça semelhanças entre arquitetura e ficção

Em quatro módulos, escritor compara as fases de uma obra e o processo de criação literária

Em oficina, escritor Tiago Marcon traça semelhanças entre arquitetura e ficção Jonas Ramos/Agencia RBS
Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Projetos arquitetônicos e produções literárias carregam mais semelhanças do que podemos imaginar. Das fundações ao acabamento, edifícios e textos nascem de conceitos que se materializam durante o processo de criação. Portanto, é necessário limpar o terreno, jogar as ideias no papel, selecionar o que é mais importante e arregaçar as mangas em busca da construção estética em busca da narrativa.

Esse é o ponto de partida da oficina Arquitetura da Ficção, coordenada pelo arquiteto e escritor Tiago Sozo Marcon, com módulos nesta segunda-feira e nos dias 10, 17 e 24, na Do Arco da Velha Livraria & Café, em Caxias. A atividade integra o já tradicional projeto Órbita Literária, que ocorre nas segundas e debate a literatura. Nas oficinas, em quatro encontros, os participantes falarão sobre as semelhanças e diferenças entre as duas áreas, além de praticar exercícios para dar vazão à criatividade e destravar a escrita.

— Eu tive um professor de arquitetura que dizia o seguinte: "se você tem um terreno ideal, orçamento infinito e um cliente que não faz restrições, talvez você não consiga fazer o projeto porque não tem limitação". Na literatura não é diferente. Eu acho que as limitações podem ajudar. O escritor não pode apostar apenas na inspiração. É bom ter fatores condicionantes. Mesmo que não seja um prazo externo, você pode estabelecer um cronograma — sugere Marcon.

Para organizar o roteiro da oficina, o escritor traçou comparações pertinentes e bem-humoradas entre as fases de uma obra e o processo de criação literária. As fundações, por exemplo, são a tríade formada por conflito, narração e estilo literário, enquanto que a superestrutura é o conjunto entre subtexto, trama e gramática. As paredes e os elementos de vedação, por sua vez, correspondem aos personagens, temas e cenários.

— Eu acho que é possível fazer comparações interessantes entre as duas áreas. Seja num terreno vazio ou numa folha em branco, partimos de uma ideia em busca da materialização. Guardadas as diferenças, o artefato literário também pode ser perseguido de maneira semelhante — defende o autor.

Por fim, a oficina também abordará aspectos decisivos no processo de sedução dos leitores contemporâneos e a contribuição das séries de TV e dos filmes na criação literária:

— A gente vê pela história que inicialmente a literatura influenciou o cinema, mas agora parece acontecer ao contrário: o cinema e as séries estão influenciando a literatura. Como resultado, nós vemos textos mais breves, formas mais sintéticas de comunicação. Com certeza são artes que têm muito a dialogar.

Oficineiro
Tiago Sozo Marcon é autor do livro de crônicas Deus veste legging (2015), além de integrar as coletâneas Onisciente Contemporâneo (2016), Translações Singulares (2017) e Não Culpe o Narrador (2018). Atualmente trabalha no seu primeiro romance, ainda sem data para ser lançado.

PROGRAME-SE
O quê:
oficina literária Arquitetura da Ficção, com Tiago Sozo Marcon.
Quando: módulos nesta segunda e nos dias 10, 17 e 24 de setembro, às 18h30min.
Onde: Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Dr. Montaury, 1570), em Caxias.
Quanto: R$ 30 por módulo ou R$ 90 o pacote.
Informações: pelo telefone (54) 3028-1744.

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