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Opinião12/09/2018 | 07h37Atualizada em 12/09/2018 | 07h37

Ciro Fabres: o disjuntor

A agressividade e a violência encontram campo fértil onde não há espaço para aceitar as diferenças

No início desta campanha eleitoral, um candidato à Presidência aconselhou aos seguidores de outro candidato: "Desarmem o coração." A campanha seguiu e chegou a seu momento mais agudo com o ataque ao candidato Jair Bolsonaro semana passada, depois de esse mesmo candidato, dois dias antes, ter expressado a intenção de "fuzilar" adversários. Quer dizer, sobressaem-se na campanha estes momentos nada edificantes, de incitação e violência.

Esse ambiente, porém, nada mais é do que reflexo da realidade. Se a campanha vai mal, é porque a realidade vai mal. A agressividade e a violência encontram campo fértil onde não há espaço para aceitar as diferenças, as diferentes formas de pensar e de se expressar. No fundo, o outro é visto como adversário e inimigo. Como dizia Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros. No Brasil, esse enunciado vem sendo levado às últimas consequências. Na raiz de tudo, essa é a nossa questão mal resolvida. Então o conselho de um candidato lá no início da campanha, buscado na vivência popular, é ensinamento útil bem além do momento eleitoral, essencial para a boa convivência, como postura de vida, até mesmo para começar a consertar o estrago.

Aceitar ou respeitar as diferenças é desarmar a bomba. Simples assim, sem necessidade de maiores sofisticações. Não há dificuldade nisso, é exercitar a boa vontade. O ato depende de cada um. É opção individual, ainda que exista todo um ambiente de agressividade conspirando contra, que vem sendo construído, que está nas ruas, que está nos contatos pessoais no mundo real ou nas redes sociais. Mas que não impede uma pessoa, qualquer pessoa, a qualquer momento, de "desarmar o coração". É parar, refletir e fazer a escolha, que pode ter componentes racionais, morais, vitais. O que ganhamos com um ambiente de desentendimento? Como se houvesse um disjuntor, cabe desativá-lo, desarmar o coração. Não é mais lógico do que sair se enfrentado pelas ruas e redes? O que se ganha com isso?

Ah, mas o mundo é violento. Essa é a lógica do armamento material, ter uma arma à mão, discurso apregoado na campanha. Não vamos ignorar o mundo real. Porém, desarmar o coração, o espírito, não conflita, pelo contrário. Desarmar o coração é a disposição e a disponibilidade para o entendimento, para a convergência, sem prejuízo de uma compreensão pessoal de que a arma pode ser útil como instrumento de defesa nestes dias tão hostis.A questão é respeitar as diferenças. Desarmar o coração. Desativar o disjuntor da intolerância. É uma escolha atrapalhada pelas más influências do ambiente, mas ainda assim uma escolha pessoal. Basta querer. Por que não?

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