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Opinião10/08/2018 | 14h45Atualizada em 10/08/2018 | 14h45

Tríssia Ordovás Sartori: nenhuma a menos

Todas estamos sujeitas à violência - em maior ou menor escala - e nem sempre conseguimos empatizar umas com as outras

Tríssia Ordovás Sartori: nenhuma a menos Fábio Panone Lopes/
Foto: Fábio Panone Lopes
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Nasci nos anos 1980, numa década em que não se falava em feminicídio. Naquela época, chamava -se "crime passional" – é ainda hoje há quem se refira a ele assim. Infelizmente, talvez nunca tenhamos ouvido tanto essa palavra como nos dias de hoje. 

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Foi nesse mesmo período que a escritora argentina Selva Almada escutou no rádio a notícia de uma jovem de 19 anos que morreu na própria cama, ao ser golpeada no coração. A história nunca a abandonou e, anos depois, decidiu se aprofundar e contar esse e outros dois casos tão tristes quanto. Desta forma, nasceu o incensado Garotas Mortas, lançado em 2014 na Argentina e nesse ano por aqui. 

Com uma narrativa fluida e dura, dada a brutalidade dos fatos e o entrelaçamento de impressões sobre si mesma e sobre outras mulheres quaisquer, a autora joga luz a um tema que, cada vez mais, aparece nas páginas dos jornais – desse e de todos os outros. Faz uma tentativa dar visibilidade a histórias que não tiveram o desfecho necessário – os casos não foram solucionados -, para que a violência contra a mulher não seja neutralizada. Não é ok, não é banal. 

Todas estamos sujeitas à violência - em maior ou menor escala - e nem sempre conseguimos empatizar umas com as outras. Como se a história de uma não fosse a de todas. 

É, à medida em que o livro vai envolvendo, é absurdo constatar como  é difícil ser livre de verdade em um universo machista. Nem sempre a gente se dá conta disso, mas não podemos banalizar o problema.

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