Para discutir sobre assédio, documentário "Chega de Fiu Fiu" é exibido neste sábado em Caxias do Sul - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Sessão seguida de debate10/08/2018 | 08h21Atualizada em 10/08/2018 | 08h21

Para discutir sobre assédio, documentário "Chega de Fiu Fiu" é exibido neste sábado em Caxias do Sul

Exibição é seguida de bate-papo com as painelistas Adriana Antunes, Cleonice Araújo, Gabriela Oliveira e Maria de Fátima Freire de Sá

Para discutir sobre assédio, documentário "Chega de Fiu Fiu" é exibido neste sábado em Caxias do Sul Taturana / Divulgação/Divulgação
A artista Rosa Luz é uma das personagens do longa: "Depois que transicionei, comecei a me sentir mais insegura, objetificada, assediada" Foto: Taturana / Divulgação / Divulgação

Em uma das últimas cenas do longa-metragem Chega de Fiu Fiu, a voz da mulher do fim mundo canta: “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”. Nos versos e na voz de Elza Soares, a trilha denuncia o assédio físico, sofrido por diferentes mulheres, todos os dias, em todo o mundo. Mas o documentário, dirigido por Amanda Kamanchek Lemos, também fala do assédio velado, aquele que acontece nas ruas, que vem e nunca avisa, intimida e constrange. Esse e outros tipos de violência contra a mulher que ocupam as ruas são o fio condutor do longa que será exibido neste sábado, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, em Caxias.

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“As cidades foram feitas para as mulheres?” é uma das perguntas que permeiam a história e deixam clara a relação das mulheres com o espaço urbano, ainda marcado por medo e insegurança. Por que ainda é difícil existir nas ruas? Segundo uma pesquisa do ActionAid (confira os resultados na íntegra), divulgada em 2016, 86% das mulheres diz já ter sofrido algum tipo de assédio. Desses, o “fiu fiu” é o mais comum, aparecendo em 77% dos casos.

No sábado, após a exibição, também ocorre um bate-papo sobre o documentário com as painelistas Adriana Antunes, Cleonice Araújo, Gabriela Oliveira e Maria de Fátima Freire de Sá, mulheres que, de seus diferentes espaços e por meio de diferentes recortes, conversam e discutem sobre como é possível transformar a narrativa da mulher que não pertence à cidade.

– Nós vemos muito essa abordagem dentro de Caxias, de “eu vou até aonde você me permite ir”. Mas não é porque coloquei um vestido mais chamativo que eu quero que passem a mão em mim. Não é só um assobio, é um grito que diz “Opa, espera aí, esse espaço me pertence”. Se eu me sentir à vontade de botar um vestido curto e sair na rua, é o meu corpo. Isso não te dá o direito de passar a mão em mim se eu não te dei essa liberdade. Para mim foi interessante esse convite, pois também vamos tratar da questão da mulher trans – explica Cleonice, 39 anos, coordenadora da ONG Construindo Igualdade LGBT.

Documentário Chega de Fiu Fiu é exibido em Caxias do Sul
No longa, Raquel Gomes dos Santos conta que decidiu emagrecer antes de ir para a faculdade. Quando saia de casa e não passava nas catracas dos ônibus, os motoristas a constrangiam.Foto: Taturana / Reprodução

Além da utilização de óculos com uma microcâmera escondida por mulheres em seu dia a dia, o filme soma ao debate a história de três personagens de diferentes cidades e o diálogo com especialistas sobre assédio, identidades, sexualidade, participação e mobilização social e masculinidades. O título Chega de Fiu Fiu é inspirado na campanha homônima criada em 2013 pelo coletivo Think Olga, que busca combater o assédio sexual em espaços públicos. A partir dele, a diretora criou a pergunta: qual é o lugar das mulheres nas cidades? E, para Amanda, é justamente esse ponto de interrogação que o filme aborda.

— A intenção com o filme era mostrar nossas personagens como mulheres que já estão mudando esses cenários pela forma como atuam. Seja a Rosa como uma artista que faz as performances na rua, seja a Raquel que vai nos grupos de apoio a mulheres vítimas de violência ou mesmo a Teresa como uma professora e ciclo-ativista, que também usa a bicicleta como uma forma de se colocar nesse espaço. Essa foi a nossa forma de mostrar como essas mulheres tem transformado esse cenário e inspirar outras a buscarem esse apoio, falarem, não se sentirem culpadas, se curarem dessa violência, e ao mesmo tempo oferecer caminhos. E os homens entram nisso como aliados, no momento em que eles decidem não cometer mais esse tipo de violência e possam informar uns aos outros para que esse tipo de cultura não seja mais perpetuada — comenta Amanda Kamanchek, diretora do filme.

Dados

— 1 em cada 3 mulheres no mundo sofre violência física ou sexual. (OMS - Organização Mundial da Saúde).
— Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos. (FBSP - Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
— O Brasil é o 5º país no ranking de assassinatos de mulheres. (Mapa da Violência de 2015).

86% das brasileiras já sofreram assédio em espaços públicos:
77% delas receberam assobio.
57% ouviram comentário de cunho sexual.
44% tiveram seus corpos tocados.
(Pesquisa ActionAid, 2015).

Conheça mais sobre a campanha "Chega de Fiu Fiu" clicando na imagem abaixo

Foto: Reprodução

Se quiser entender mais sobre os números, leia o artigo completo sobre os dados no site do coletivo Think Olga. Para denunciar casos de violência contra a mulher, basta ligar 180

AGENDE-SE

Documentário Chega de Fiu Fiu é exibido em Caxias do Sul
No documentário, a professora Teresa Chaves diz que tem medo de andar de bicicleta na rua, mas ainda assim o faz. Foto: Taturana / Reprodução

O quê: exibição do longa "Chega de Fiu Fiu", de Amanda Kamanchek Lemos.
Onde: Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312).
Quando: no sábado, às 15h.
Quanto: ingressos custam R$ 5.

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