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Opinião24/08/2018 | 14h43Atualizada em 24/08/2018 | 14h43

Nivaldo Pereira: o prisma virginiano

É Virgem querendo ver o todo em cada feixe; em cada detalhe, a graça da perfeição

Nivaldo Pereira: o prisma virginiano Arte Rodolfo Guimarães/
Foto: Arte Rodolfo Guimarães
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Porque o Sol transita em Virgem, sua luz já não simboliza aquele potente holofote que faz brilhar as individualidades na fase Leão. Agora, gotículas de chuva no ar provocam a refração da luz branca solar, e esta se desdobra em feixes de laranja, amarelo, vermelho, verde, anil, azul e violeta. É o arco-íris! É aliança entre céus e terra, conexão entre as partes da totalidade. É Virgem querendo ver o todo em cada feixe; em cada detalhe, a graça da perfeição. Seu olhar prismático decifra, analisa e decompõe, "arco-irisando" a vida em categorias formais.

O cosmos é modelo de ordem, mas a vibração virginiana é terrena. Portanto, nada de metafísica e transcendência antes de se esgotarem as possibilidades da ação material. Signo de final de estação, dado a aprimoramentos e mudanças, Virgem se expressa no que concretamente produz. A imagem da donzela que o simboliza já sugere uma plena fertilidade a se doar e desdobrar em mil ofícios e serviços. Ser útil é o que dá sentido ao viver. Nessa etapa da roda zodiacal, a identidade desenvolvida em Leão se aperfeiçoa em humildade e entrega, para poder se relacionar com o outro em Libra.

O ramo de trigo na mão da donzela indica a ação cultural humana sobre a natureza. É a técnica transformando o ambiente: do grão ao pão, da erva ao medicamento. Não se vislumbre aqui um progresso em que a cultura subjugue o biológico, pois Virgem tem na natureza um referencial que beira o sagrado. Há que se cultivar o solo, mas sob uma justa medida nas relações com terras, ares, águas, animais e plantas.

Para Virgem, a natureza também está no corpo, esse templo que deve ser administrado com atenção e zelo, em rituais que garantam correta integração entre todos os órgãos. A lógica virginiana questiona: se sabemos o que nos envenena e provoca doenças, por que não mudar os hábitos? Por que não evitar o mal?

E é hora do meu chá de camomila, valeriana e mulungu, receita contra a insônia, enquanto leio o poeta virginiano Ferreira Gullar: "E agora tu, cabeça, / dura cabeça nordestina, / dorme".

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