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Opinião10/08/2018 | 14h42Atualizada em 10/08/2018 | 14h42

Nivaldo Pereira: as garras do felino

Não se trata somente de sucesso, mas de atitude, presença e estilo, como convém a um leão de fogo, nascido a 7 de agosto de 1942

Nivaldo Pereira: as garras do felino Arte Rodolfo Guimarães/
Foto: Arte Rodolfo Guimarães
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Alguma coisa acontece em meu coração quando Caetano Veloso canta. Um rei que não tem fim, ele está em cena há mais de 50 anos, sempre criando e dando o que falar. Não se trata somente de sucesso, mas de atitude, presença e estilo, como convém a um leão de fogo, nascido a 7 de agosto de 1942. Na marcha de um coração que sonhou um dia ser tudo o que quis, esse diamante verdadeiro se fez pessoa soberana nesse mundo e foi fundo na existência, inventando e reinventando, se tornando desde jovem uma das figuras mais impactantes da cultura brasileira. Em quantidade e intensidade, Caetano sempre quis muito. E proclamou luxo para todos, porque gente é espelho de estrelas, gente é pra brilhar.

Na arte e na vida, ele encarnou o leonino arquétipo do criador. O Sol conjunto ao versátil Mercúrio o dotou de múltiplos dons, além de um intelecto penetrante. Mas não bastou poder compor, cantar, escrever, desenhar e até fazer filmes. O signo ascendente em Áries também quis ser provocativo, guerreiro pronto a abrir veredas e polemizar. Assim, caminhando contra o vento, esse doce bárbaro invadiu a cidade velha, organizou o movimento e orientou o Carnaval. Assumindo as glórias e mazelas nacionais, viu um futuro claro para o Brasil, apesar da dor. E até hoje, no bom combate ou na festa, atrás do Caetano só não vai quem já morreu.

Saturno e Urano, conjuntos em Gêmeos – também o signo da Lua –, moldaram um gosto pelo diálogo entre a tradição e a modernidade. Caetano lançou outras palavras nos novos fronts criativos, mas também traduziu o que de melhor o tempo esconde. Feito a filha da Chiquita Bacana, o bom é transar todas sem perder o tom. O bom é não se prender a regras e patrulhas. E obedecer apenas à força estranha que move o seu criar na estrada do tempo, esse senhor tão bonito quanto as caras dos filhos, que já dividem com o pai os palcos do mundo. Feliz, o leão baiano ruge.

Sim, Caetano é Leão, cujo coração é o Sol, pai de toda cor. E eu fico contente de ter minha atenção arrastada a ele, como um ímã. Longa vida ao rei!

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