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Opinião07/08/2018 | 09h52Atualizada em 07/08/2018 | 09h57

Natalia Borges Polesso: visibilidade lésbica, parte I

O lesbocídio, assim como o feminicídio, é motivado pela misoginia, em outras palavras, ódio às mulheres

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

Há quem diga que agosto é o mês mais longo do ano, que é o mês do mal agouro, das bruxas soltas; do cachorro doido. Pra mim, agosto é O mês. Em agosto, cheguei na terra, e se não bastasse esse interstício maravilhoso para celebrar, agosto também é o mês da visibilidade lésbica.

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Maravilhoso que as bruxas estejam soltas: andam nos relembrando que não há nada mais poderoso do que uma mulher que se reergueu, e nós, mulheres, estamos cada vez mais fortes. Por mais que os dados da violência sejam assustadores, por mais que viver sem esses dados seja ainda mais assustador, durante todo o mês de agosto, vamos falar de nós, mulheres que amam mulheres e desse espaço social que insiste em nos invisibilizar, fetichizar, xingar, violentar, matar. Ainda sobre as bruxas: espero que estejam tramando grandes planos pra gente também.

Voltando aos dados: de acordo com o Dossiê Sobre Lesbocídio, do Núcleo de Inclusão Social da UFRJ, nos dois primeiros meses de 2018, foram registradas 26 mortes por lesbocídio no Brasil. Em 2017, foram 54 mortes, uma por semana. Esses números são coletados em redes sociais ou na mídia, porque simplesmente não há dados oficiais. Esses crimes de ódios, praticados contra lésbicas podem ter números ainda maiores por conta da subnotificação.

E o que é lesbocídio? Este termo foi apresentado pela primeira vez no Brasil nesta pesquisa da UFRJ. O lesbocídio, assim como o feminicídio, é motivado pela misoginia, em outras palavras, ódio às mulheres. No caso do lesbocídio, os crimes contra lésbicas são cometidos em maioria por homens que têm algum tipo de aversão a lésbicas – ou seja, lesbofobia.

Então, a importância deste mês reside na visibilidade e na consolidação de ações afirmativas para que juntas e juntos possamos reverter essas estatísticas. Ações mínimas, andar de mãos dadas, demonstrações de afeto em público, encontros com grupos de debate, grupos de conversa da cidade, entre outras coisas. Essas não são ações tão mínimas quando são recriminadas, quando se tornam arriscadas, não é mesmo? Mas nós, mulheres que amam mulheres, estamos aqui, presentes, e queremos mais do que aceitação, queremos respeito, queremos representatividade social, cultural e política.

Nos juntaremos com as bruxas e não há mal agouro que vá nos vencer.

Vem, agosto! Que a gente tem muito pra fazer ainda.

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