Marcos Piangers apresenta a palestra "O Papai é Pop" no próximo sábado, em Bento Gonçalves - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Entrevista06/08/2018 | 10h32Atualizada em 06/08/2018 | 10h33

Marcos Piangers apresenta a palestra "O Papai é Pop" no próximo sábado, em Bento Gonçalves

Na Serra, jornalista, que é pai de duas meninas, falará sobre acertos, erros e desafios para criar filhos felizes

Marcos Piangers apresenta a palestra "O Papai é Pop" no próximo sábado, em Bento Gonçalves Renan Matheus/divulgação
Catarinense estará em Bento para uma palestra na qual falará sobre erros e acertos na criação dos filhos Foto: Renan Matheus / divulgação

– A gente vive numa sociedade doente, e uma sociedade doente não consegue enxergar o óbvio.

É praticamente impossível não se sentir tocado pelas palavras de Marcos Piangers. Autor de O Papai é Pop 1 e 2, O Poder Do Eu Te Amo e O Papai É Pop Em Quadrinhos 1 e 2, lançados pela Editora Belas Letras e que juntos somam mais de 250 mil cópias vendidas, o jornalista de 38 anos tornou-se uma das principais referências no Brasil quando se fala em relacionamento entre pais e filhos. No sábado, o catarinense, que atualmente contabiliza mais de 3,3 milhões de fãs no Facebook aproximadamente 560 mil seguidores no Instagram, estará em Bento para uma palestra na qual falará sobre erros e acertos dos pais e os desafios para criar filhos felizes e preparados para o mundo.

– Vai ser um prazer passar o Dia dos Pais aí – afirmou ao Pioneiro direto de Curitiba, para onde se mudou em 2017 com a mulher, Ana Cardoso, e as filhas, Anita e Aurora, após uma década morando em Porto Alegre.

A seguir você confere os principais trechos da entrevista. As perguntas foram enviadas por e-mail a Piangers, que respondeu por meio de áudios no WhatsApp, com a participação especial de Aurora, nascida em 2012.

Pioneiro: Qual a lição que a paternidade te trouxe?
Marcos Piangers:
São lições. A gente passa todos os dias aprendendo, o tempo todo. E espero que essas menininhas aprendam um pouco também. Né, Lola?

Aurora: Aham!

Piangers: Você acha que o papai ensina muita coisa pra você?

Aurora: Algumas!

Piangers: E você acha que você ensina muitas coisas pro papai?

Aurora: Bastante!

Piangers: Tipo o quê? (risos)

Aurora: Hãããã....

Piangers: Prestar mais atenção em vocês, ser mais paciente, entender como é o mundo das mulheres. São todas descobertas deliciosas dessa trajetória de paternidade, dessa trajetória de criação de filhos. O adulto já cresceu para se enquadrar mentalmente na construção social que o rodeia, e a criança não. A criança chega nova no pedaço. E tem muita coisa para aprender com as crianças, que têm essa visão nova, fresca, sobre tudo. As meninas me ensinam a respeito da vida, da morte, do amor, do abraço, da crença num mundo encantado, e por aí adiante.

Teve que abrir mão de algo em função da paternidade?
Claro. Quando chega uma criança, a gente tem um impacto inicial, mas o homem tem esse distanciamento fisiológico da gestação. Então, quando chega a criança, o homem demora um tempo a entender a como equilibrar a vida profissional e a vida com os filhos. Me lembro que, em 2016, eu estava com o segundo livro lançado, entre os mais vendidos no Brasil, trabalhando na Globo, coordenando uma equipe de inovação na Rádio Atlântida, e a minha filha Anita me chamou e disse: “Pai, olha só, você não pode viajar tanto, trabalhar tanto. Você escreveu um livro sobre paternidade e está trabalhando que nem um maluco!”. Aquilo me deu um estalo e a gente (Piangers e a mulher, Ana) decidiu mudar de cidade. Veio morar em Curitiba. Eu larguei o contrato com a Globo e com a Atlântida. Abri mão de algumas funções profissionais para justamente estar mais próximo delas. Aqui a gente tem sogra, primos, tios, e foi a melhor decisão da minha vida. Equilibrar um pouquinho o trabalho com família foi a grande sacada nos últimos anos. Claro que eu entendo que para muitos pais isso não é uma possibilidade, abrir mão do trabalho, mas acredito que a gente pode fazer menos reuniões demoradas, que a gente pode fazer menos churrascos e futebol. O sentido da vida é muito simples. É passar a maior quantidade de tempo possível perto das pessoas que você gosta.

Marcos Piangers
"O homem melhora o relacionamento com a esposa e com os filhos se está de corpo e alma dentro da família"Foto: Renan Matheus / divulgação

O que mais te afligia antes de ser pai?
Eu tinha muito medo de não dar conta do recado, de não manter meu relacionamento estável com a Ana, a possibilidade de não conseguir pagar as contas. O homem tem muito essa pressão para ser o provedor, e essa é a grande preocupação quando você descobre que vai ser pai. Mas depois chega um filho e você vai descobrir que nem é tão caro assim. Que você não precisa comprar a melhor fralda. A gente sempre comprou roupa de brechó, brinquedos de segunda mão. A gente nunca colocou no colégio mais caro porque se a gente gastar muito dinheiro com os filhos, vai ter que trabalhar demais, e a gente vai estar longe deles. E aí não tem lógica nenhuma ter filho. Ter filho para ficar longe, não vejo nenhum sentido nisso. 

Existe momento certo para ser pai?
Piangers: O que você acha, Lola?
Aurora: Eu acho que... às vezes.
Piangers: Qual seria o momento certo para ser pai?
Aurora: Quando o pai está querendo bastante.
Piangers: Você acha que é melhor ter um pai jovem ou mais velho?
Aurora: Mais velho sabe mais coisas.
Piangers: (rindo) Eu fui pai novo, 23 anos. A vantagem disso é você ter mais energia para brincar. Cada momento tem a sua delícia, a sua vantagem. E também a sua desvantagem. 

Hoje em dia é mais difícil ou mais fácil ser pai?
Depende muito. Se você pegar a geração dos nossos avós, que passaram por uma guerra, ou até duas, com dificuldade de emprego e de alimentação, acho que é mais fácil hoje. Se você pegar os nossos pais, que estavam ali naquela batalha por conquistas profissionais, também acho que hoje seja mais fácil. É mais acessível, a gente tem mais acesso às coisas hoje em dia. Mas cada geração tem os seus desafios da paternidade. Hoje, o nosso grande desafio é lidar com a correria do dia a dia, a nossa obsessão por consumo e a tecnologia, que é algo que nenhuma outra geração experimentou. 

Como avalias o impacto de teus textos e vídeos entre os leitores?
Tem alguns textos, alguns vídeos, que alcançam 50 milhões de views. Isso dá perto de 100 milhões de pessoas de alcance no Facebook. É homem, é mulher, é filho, é pai, é vô, é gente mais velha, gente mais nova, gente que não tem filho. Todos esses tipos de pessoas me escrevem dizendo: “Pôxa, esse vídeo me tocou muito. Eu nem tenho filho, mas um dia eu vou ser pai.” Se você pegar o meu público especificamente, as pessoas que já me curtem e me seguem nas redes sociais, cerca de 55% a 60% são mulheres. É um público um pouquinho mais feminino, que, em geral, marca muito seus maridos, seus namorados, seus amigos, e daí o público masculino também interage. 

Muito do que escreves são temas que deveriam fazer parte, naturalmente, do relacionamento entre pais e filhos. Por outro lado, são assuntos que causam muita surpresa. Por que o óbvio ainda precisa ser dito?
A gente vive numa sociedade doente, e uma sociedade doente não consegue enxergar o óbvio. É importante sempre que a gente repita, sistematicamente, o óbvio. Presença é mais importante do que brinquedo. Tempo é mais importante do que dinheiro. Um homem melhora o relacionamento com sua esposa, com seus filhos e com ele mesmo quando está de corpo e alma dentro da família. São todas coisas realmente muito óbvias, mas, porque a gente vive numa sociedade doente, que cultua muito mais o sucesso financeiro, a fama, a gente fica cego para o óbvio. 

Em entrevista ao Pioneiro em 2017, disseste que seu plano para o futuro era tornar-se obsoleto, já que o pai participativo deveria ser um padrão. Quanto tempo achas que vai levar para chegarmos a esse ponto?
Vou ser muito otimista aqui. Vamos torcer para a gente viver, nos próximos 10, 20 anos, uma revolução liderada por pais participativos que demonstram esse carinho e essa participação em redes sociais, e que falam desse assunto, e que junto com suas esposas demonstram a importância de, realmente, dividir todas essas funções e estar perto dos seus filhos. E quem sabe, nos próximos 10, 20 anos, as empresas percebam essa importância do homem estar perto de casa e aumentem a licença paternidade dos seus empregados. E vamos supor que a gente eleja bem os políticos nas próximas eleições, e esses políticos tomem medidas de incentivo à participação do homem de todas as classes sociais na família para que a gente tenha crianças muito mais completas, que cresçam com mais carinho e muito amis afeto. E, aí, vamos torcer para que as políticas públicas incentivem esses homens a terem licença paternidade compartilhada com as mulheres. E aí eu acho que sim. Acho que é bem possível que nos próximos 10, quem sabe nos próximos 15 anos, a gente tenha uma sociedade bem mais equilibrada. Ou seja, cada real que você investe nessa primeira infância você colhe um benefício, um retorno sobre o seu investimento nos anos seguintes. Só tem uma forma de a gente mudar realmente o país, e me parece que é mudando a gente mesmo, mudando a nossa participação nas nossas famílias e criando uma geração melhor que a nossa no futuro.

Programe-se

O quê: palestra O Papai é Pop, com Marcos Piangers.
Quando: sábado, às 20h.
Onde: Centro de Eventos Malbec, no Dall’Onder Grande Hotel (Rua Herny Hugo Dreher, 197, Bento Gonçalves).
Quanto: R$ 65. Estudantes pagam R$ 32,50. Pontos de venda: hotéis da rede e pelo site www.sympla.com.br. A renda obtida com o evento será revertida para a escola de música do Instituto Tarcísio Michelon.

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