Marcos Kirst: truques para estender o ser - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião06/08/2018 | 09h43Atualizada em 06/08/2018 | 09h43

Marcos Kirst: truques para estender o ser

Agora que cresci, estou mesmo sendo aquilo que realmente desejava e desejo ser?

O que queremos ser na vida? Sabemos que temos somente uma vida para viver (ao menos, essa que estamos vivendo é só essa, sob essa identidade, nascidos nessa específica configuração familiar, social, temporal e geográfica) e, por isso, em alguns momentos da caminhada, impõe-se esse antigo e batido dilema: "o que vou ser quando crescer"? Ou, também, "agora que cresci, estou sendo aquilo que realmente desejava e desejo ser?". Ou, ainda: "mesmo sendo o que sou, ainda posso mudar de rumo, reinventar-me, ser alguma outra coisa ou, enfim, vir a ser aquilo que sempre quis?". Pois é, trata-se de um dilema que, dependendo do caso, pode nos acompanhar por toda a nossa existência, materializando-se na forma de frustração ou de realização pessoal. Ou, ainda, como sublimação de desejo não realizado. Vai saber.

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Eu, na minha infância, primeiro desejava ser bombeiro. Correr pela cidade encarapitado em cima de um flamejante caminhão de bombeiros reluzindo em vermelho, a sirene aberta abrindo passagem, rumo ao cumprimento de missões que resultariam no salvamento de inocentes e no combate a tragédias, era meu sonho. Abandonei o intento no mesmo dia em que vi com meus próprios olhos uma casa arder em chamas na vizinhança e o perigo real a que os bravos combatentes do fogo se expunham no cumprimento do dever. 

Não, aquilo não era para mim. Seria astronauta, mesmo, igual ao trio Armstrong, Collins e Aldrin, os primeiros a andarem pela Lua. Fascinava-me observar o céu à noite, detectar os nomes das estrelas, constelações e planetas que meu avô me ensinava a identificar. Mas esse sonho caiu por terra quando soube que foguetes podiam explodir nos testes, como já havia acontecido antes, e eu, hein, tô fora! Optei então por ser agente secreto, igual ao 007 do Sean Connery. Perguntei a meu pai o que deveria fazer para me transformar em um deles, e recebi como resposta bem humorada: “em primeiro lugar, não conta nada pra ninguém”. Achei difícil seguir a regra e abandonei também essa meta.

No final das contas, me transformei em jornalista e escritor (atividades em que o foco é contar tudo para todo mundo). Descobri que a vida, curta como é, precisa ter um foco, não dá para querer ser escritor, astrólogo, caminhoneiro, cozinheiro, professor, detetive e gato, tudo ao mesmo tempo. Vive-se apenas uma vida, com foco e dedicação. As demais, aquelas que poderiam ter sido, mas não foram, a gente supre vivenciando-as alegremente nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas. Afinal, as artes expressam exatamente nisso o seu valor vital e redentor. Ufa!

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