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Opinião13/08/2018 | 14h52Atualizada em 13/08/2018 | 14h52

Marcos Kirst: como ver 'flores em você'

A régua da medida do mundo não é o tamanho do nosso umbigo: ele é pequeno demais

Somos diferentes, somos diversos, somos únicos. Não somos iguais. Pensamos diferente, agimos diferente, cultivamos gostos e jeitos próprios e exclusivos. Não somos produzidos em série, frutos de uma linha de montagem de automóveis ou de máquinas de lavar roupa. Somos gerados de forma especial, um a um, personalizadamente. Somos produção customizada, ao gosto específico de cada cliente, ou seja, nós mesmos. Eu sou cliente de mim mesmo, e eu moldo meu ser de acordo com minhas visões de mundo, meus gostos, minhas reflexões. Que são óbvia e naturalmente diferentes das suas e das de todos os demais dos sete bilhões de habitantes deste planeta repleto de vida. "Nessa vida passageira, eu sou eu, você é você", canta (e resume) o Ira!

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Lançar-se à vida imaginando que é seu dever reduzir o mundo inteiro aos limites de ação e percepção de seu próprio umbigo, procurando homogeneizar a rica existência em volta e subjugá-la aos seus próprios padrões, tendo a si mesmo como modelo, é o ápice da estultice e do desperdício de energia. A régua da medida do mundo não é o tamanho de nosso umbigo. Ele, aliás, é pequeno demais para abarcar a amplidão da diversidade que pulula em meio à florida e encantadora variedade das gentes que existem no mundo e que o fazem tão rico, divertido, fascinante. A diferença é o que encanta. Porque não somos iguais, e todas as tentativas (pessoais, coletivas e impostas) de homogeneizar a expressão da existência humana vão sempre incorrer no pecado inaceitável da intolerância, da barbárie, da psicopatia, do totalitarismo, do nazismo.

Somos diferentes. Somos humanos. Seres humanos não são produzidos em fábricas que determinam e delimitam formas de pensar, de amar, de agir, de ser, de parecer, de dizer, de ver, de perceber, de sentir, de se relacionar. Precisamos, sim, observar regras gerais de conduta social e de convivência que permitam justamente vivenciarmos e expressarmos nossas diferenças de forma pacífica dentro do espaço coletivo, sem que imponhamos nossos interesses pessoais aos demais de forma a inviabilizar a existência do outro. Para isso, as leis. Fora isso, a lei da convivência harmônica é uma só: respeite, aceite e conviva com as diferenças (e mais: aprenda a apreciá-las). Seu umbigo não é a regra do mundo, que é bem maior do que isso e está fora do alcance de sua jurisdição. Eu não quero um planeta repleto de "eus mesmos". Eu cultivo o fascínio pela diferença e pela amplitude de mundo que o outro me proporciona. É assim que "vejo flores em você" e afasto de mim a intolerância da ira, não é mesmo, Ira!?

 
 
 

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