Discutindo questões do universo adolescente, "Ferrugem" conquista kikito de melhor filme em Gramado - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Cinema26/08/2018 | 09h29Atualizada em 26/08/2018 | 16h45

Discutindo questões do universo adolescente, "Ferrugem" conquista kikito de melhor filme em Gramado

Premiação do festival foi realizada na noite de sábado

Discutindo questões do universo adolescente, "Ferrugem" conquista kikito de melhor filme em Gramado Edison Vara/Divulgação
Foto: Edison Vara / Divulgação

Propondo um olhar trágico sobre a adolescência e sobre as relações contemporâneas envoltas pelo universo digital, o longa Ferrugem, dirigido pelo baiano Aly Muritiba, conquistou o kikito de melhor filme no 46º Festival de Cinema de Gramado. O cineasta falou da importância do pode transformador do feminino em sua obra e lembrou que a maior parte da equipe do longa foi formada por mulheres. Quem entregou o prêmio foi o ator e homenageado nesta edição do festival Ney Latorraca, que fez relação com a gafe ocorrida na Oscar em 2017 ao anunciar o escolhido.

— O vencedor é La La Land — brincou, arrancando gargalhadas da plateia que lotou o Palácio dos Festivais no sábado à noite.

Mas o tom da premiação foi bem mais sério do que isso na maior parte do tempo. A noite foi marcada pelas já tradicionais manifestações políticas, além de críticas contundentes ao novo formato de edital da Agência Nacional do Cinema, que dificulta o ingresso de curtas — vários realizadores usaram camisetas com a inscrição “Ancine, eu existo”. 

Cineastas premiados por seus curtas também aproveitaram o espaço no palco para discursar evocando a temática de seus filmes, como as memórias traumáticas da ditadura (Torre), a violência desenfreada nas periferias (Kairo) e a defesa pela causa LGBT (Estamos Todos Aqui).

A distribuição moderada de prêmios na categoria longas brasileiros (dos oito concorrentes, apenas dois ficaram sem troféu) também chamou atenção durante a festa. O maior premiado foi o uruguaio/paraguaio Las Herederas, que levou seis troféus.

Um dos momentos mais acalorados da premiação ocorreu durante a manifestação de Osmar Prado, premiado como melhor ator por sua performance impressionante no filme 10 Segundos para Vencer (no qual interpreta o personagem real Kid Jofre, pai do boxeador Eder Jofre). Além de destacar a emoção em receber seu primeiro kikito depois de 60 anos de carreira, o ator fez ainda uma manifestação política que dividiu o público no Palácio dos Festivais. Ele criticou a prisão de Lula e defendeu o restabelecimento do estado democrático do país. A plateia se manifestou com aplausos (de pé) e vaias durante quase um minuto.

— Pode vaiar — disse o ator, com tranquilidade.

Prado foi reverenciado por vários outros artistas que subiram ao palco depois dele, como a diretora Nara Normande, que levou o kikito de melhor curta-metragem brasileiro por Guaxuma (uma impressionante animação feita com areia); e como Karine Teles (escolhida a melhor atriz do festival pelo trabalho em Benzinho). Karine também deixou um recado sobre o poder transformador do cinema, evidenciando a temática do filme co-roteirizado e estrelado por ela.

— O cinema tem essa possibilidade de sugerir novas opções e a gente sugere (no filme Benzinho) que se caminhe para frente e se enfrente as dificuldades que estão por vir com amor. Violência, ódio, a gente sabe que isso não é eficaz, não resolve. Amor como energia, não como romantismo ou pieguice, amor como potência. Viva o amor —  defendeu.

Confira todos os premiados:

*Curtas

Melhor desenho de som: Fabio Carneiro Leão, por Aquarela

Melhor trilha musical: Manoel do Norte, por A Retirada para um Coração Bruto

Melhor direção de arte: Pedro Franz e Rafael Coutinho, por Torre

Melhor montagem: Thiago Kistenmacker, por Aquarela

Melhor fotografia: Beto Martins, por Nova Iorque

Melhor roteiro: Marco Antônio Pereira, por A Retirada para um Coração Bruto

Melhor ator: Manoel do Norte, por A Retirada para um Coração Bruto

Melhor atriz: Maria Tujira Cardoso, por Catadora de Gente

Prêmio especial do júri: Estamos Todos Aqui

Prêmio Canal Brasil: Nova Iorque

Júri popular: Torre

Direção: Fabio Rodrigo, por Kairo

*Longas latinos

Melhor fotografia: Nelson Waistein, por Averno

Melhor roteiro: Marcelo Martinessi, por Las Herederas

Melhor ator: Néstor Guzzini, por Mi Mundial

Melhor atriz: Ana Brun, Margarita Iun e Ana Ivanova, por Las Herederas

Prêmio Especial do Júri: Averno

Júri popular: Las Herederas

Melhor direção: Marcelo Martinessi, por Las Herederas*

*Longas brasileiros

Melhor desenho de som: Alexandre Rogoski, por Ferrugem

Melhor trilha musical: Max de Castro e Wilson Simoninha, por Simonal

Melhor direção de arte: Yurika Yamazaki, por Simonal

Melhor montagem: Gustavo Giani, por A Voz do Silêncio

Ator coadjuvante: Ricardo Gelli, por 10 Segundos para Vencer

Melhor atriz coadjuvante: Adriana Esteves, por Benzinho

Melhor fotografia: Pablo Baião, por Simonal

Melhor roteiro: Jéssica Candal e Aly Muritiba, por Ferrugem

Melhor ator: Osmar Prado, por 10 Segundos para Vencer

Melhor atriz: Karine Teles, por Benzinho

Menção honrosa: A Cidade dos Piratas

Júri popular: Benzinho

Melhor direção: André Ristun, por A Voz do Silêncio

Melhor curta-metragem brasileiro: Guaxuma

Melhor longa latino: Las Herederas

Melhor longa brasileiro: Ferrugem

*Prêmio do júri da crítica

Melhor curta-metragem brasileiro: Torre

Melhor longa latino: Las Herederas

Melhor longa brasileiro: Benzinho

 
 
 

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