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Opinião 01/08/2018 | 11h54Atualizada em 01/08/2018 | 11h54

Ciro Fabres: quando a gente volta de férias

Qualidade de vida existirá de verdade quando os moradores forem íntimos de sua cidade

 Quando a gente volta de alguns dias de férias, é inevitável a constatação de um grandioso débito de Caxias do Sul com seus moradores no que se refere a qualidade de vida. Pior ainda, isso parece fazer parte da cultura da cidade, que dedica, também por seus moradores, um desinteresse e uma importância secundária ao assunto. Quando se fala em qualidade de vida, sabe-se que saúde, segurança, educação, emprego, transporte compõem uma infraestrutura básica para permiti-la. Porém, essa qualidade de vida só existirá de verdade quando os moradores forem íntimos de sua cidade, de seus espaços e atrações, quando gostarem dela, por ser essa cidade agradável a seus moradores.

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Quando se sai alguns dias de férias, tem-se contato com equipamentos e alternativas urbanas oferecidas por outras cidades e com o que isso significa em termos de pontos de encontro e contato dos moradores com esses centros urbanos. Claro que algumas dessas alternativas são naturais, abençoadas por Deus, bonitas por natureza. Mas não só. Há escolhas administrativas e investimentos também. Há planejamento de programações para o melhor aproveitamento desses espaços. Então, os moradores comparecem, e se encontram, aproveitam e respiram a cidade.

Dói na alma, portanto, constatar que a escolha de Caxias do Sul e de seus moradores, de dedicar importância secundária ao lazer e locais de encontro, priva a cidade de mais pontos e espaços de convivência – bem além dos shoppings. Quando a gente volta de alguns dias de férias, esse contraste é gritante. Fica aquela sensação de que Caxias é desaproveitada, resta escondida, pouco valorizada. Porém, ela é generosa em seus encantos urbanos, em sua natureza, em sua identidade e história. É preciso descobrir mais, curtir mais Caxias. Para isso, tem de sair ao encontro da cidade. Boa parte dos moradores, no entanto, prioriza deslocamentos rápidos. Vá colocar um obstáculo na Sinimbu, um desfile, para ver a queixa geral.

Caxias tem a Lagoa do Rizzo, alguns poucos parques, a Festa da Uva, o Jardim Botânico, as praças do Trem e das Feiras, a própria UCS, que agora quer se fechar à cidade, em mais um indício de privação aos moradores. Sabe-se que a prefeitura segue investindo no chamado Ecoparque, em frente ao Jardim Botânico, o que merece aplausos. Mas é pouco para uma cidade de meio milhão de habitantes.

Caxias precisa de políticas e ações maciças para aproximar seus moradores. Precisa tratar o assunto como prioridade, mas essa compreensão está longe de existir, tanto da parte dos moradores como de sucessivas administrações. Há muito o que avançar para haver qualidade de vida em Caxias. Estamos bem longe.

 
 
 

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