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Opinião20/07/2018 | 15h26Atualizada em 20/07/2018 | 15h26

Pedro Guerra: Tudo aquilo que eu nunca faria

Acreditei que o meu velho eu seria sempre a minha constante, e que mudança de rota era uma reavaliação que a gente só faz na vida em casos extremos 

Pedro Guerra: Tudo aquilo que eu nunca faria Antonio Giacomin/reprodução
Foto: Antonio Giacomin / reprodução

 O que eu nunca faria caiu por terra. Tudo não passou de uma mentira que contei para mim mesmo na esperança de acreditar. Eu me prometi que jamais seria isso ou aquilo, e que fazer tal coisa estava fora de cogitação. Acreditei que o meu velho eu seria sempre a minha constante, e que mudança de rota era uma reavaliação que a gente só faz na vida em casos extremos. Errei tanto.

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Tudo aquilo que eu nunca faria hoje eu estou fazendo _ e gostando. Vamos lá, quando foi que eu pensei que criaria coragem para dançar zumba? Por mais estranho que alguns achem, eu sou sim um pouco tímido para algumas tarefas, e dançar no meio de mais 30 pessoas nunca foi uma alternativa que eu pudesse considerar válida. Mas um dia eu tentei (com o empurrãozinho de uma amiga, é claro), e acabei gostando. Eu, que no máximo tinha dançado no escuro do meu quarto, me vi sorrindo e renovando qualquer energia negativa a cada passo. Não sei dançar bem, e a missão aqui nem é essa. O propósito mesmo é se arriscar, testar-se o tempo todo, ser feliz a partir do inesperado.

Eu também disse que nunca faria academia, e hoje frequento com o gosto de estar me cuidando e fazendo um bem por mim. Também recusei a ideia de colocar um piercing, até o momento em que eu estava deitado na maca com uma agulha enfiada no meu nariz. Eu disse que nunca escutaria uma música da Marília Mendonça, até descobrir que ela tem a sua importância para aqueles que precisam de uns remendos aqui e acolá. Jurei que não seria uma dessas pessoas que troca a diversão por uma cama quentinha e um filme para acompanhar, mas isso é o que eu mais tenho feito nesses dias de inverno. Também falei mal de alguns filmes que eu nunca nem tinha assistido, só porque a gente insiste em viver de sinopses. Já pensou que o recheio é sempre a melhor parte?

O negócio é o seguinte: nós amamos falar para as crianças que elas não podem dizer que não gostam de verduras sem antes experimentar. Mas nós, adultos, vivemos torcendo o nariz para aquelas coisas que o nosso pré-conceito julga terem sido feitas para qualquer um, menos pra gente.

Tudo aquilo que eu nunca faria hoje é tudo aquilo eu mais quero fazer. As minhas vontades foram ampliadas pela simples ideia de que existe tanta coisa que eu posso descobrir e ainda ter de brinde aquela certeza: "eu deveria ter feito isso antes".

 
 
 

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