Nivaldo Pereira: a lua nas canções  - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 

Opinião 13/07/2018 | 15h42Atualizada em 13/07/2018 | 15h42

Nivaldo Pereira: a lua nas canções 

Quanta cantiga bonita a falar desse misterioso astro em suas fases cíclicas

Nivaldo Pereira: a lua nas canções  Rodolfo Guimarães/agencia RBS
Foto: Rodolfo Guimarães / agencia RBS
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Nossa mais acessível arte, a canção popular, dá provas do quanto nos fascina a Lua. Quanta cantiga bonita a falar desse misterioso astro em suas fases cíclicas, permanente na inconstância. Soberana do reino noturno dos instintos, a Lua rege o fluir de nossas emoções no fluxo das internas águas cancerianas. É o sentimento cambiante que vem da alma — e haverá filão mais rico para se tecer elegias musicais? 

Leia mais:
Nivaldo Pereira: o futuro do passado
Nivaldo Pereira: Emoções na cozinha

"Não há, ó gente, oh não, luar como esse do sertão!" Se a Lua parece ser a mesma para todos, é sempre única e pessoal para quem a contempla. Tela de reflexo do Sol, ela emoldura o que nos toca fundo. Como o sertão natal do poeta, cujo luar evoca seu primitivo e umbilical pertencimento. Seu prateado baú de memórias mais caras.

"Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar / Do luar que tanta falta me fazia junto do mar / Mar da Bahia." De volta do exílio em Londres, o canceriano Gilberto Gil cantou assim a saudade que o nutria em terras estrangeiras. Saudade de casa, da Lua ímpar do seu país.

"Lua de São Jorge, Lua brasileira, Lua do meu coração". Agora vem Caetano ilustrando a riqueza do imaginário lunar no Brasil. Porque parece ser coisa nossa a projeção sincrética do santo guerreiro na superfície da Lua. “Cheia, branca e inteira", ela é o lume ancestral que ativa nas culturas a reafirmação de tradições e mistérios.

"Na noite da floresta, a Lua iluminou a dança, a roda, a festa". E homens viram lobisomens sob o apelo da instintiva rainha da noite. Estamos no domínio da natureza selvagem, também território da Lua. E a sua fase plena exacerba esse chamado: "Na sombra da Lua Cheia, esse medo de ser um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê."

E a Lua de amores e serenatas? "Oh, por quem és, desce do céu, ó Lua branca."Astro do feminino, "mãe, irmã e filha de todo esplendor", a Lua também é a imagem da amada. É a “mulher de fases”, contraponto do masculino, ou, como cantou o canceriano Raul: "Luar é meu nome aos avessos".

Entre o medo e o encanto, o certo é que a Lua é fonte inesgotável de poesia.

Leia também:
Confira atrações musicais deste final de semana na Serra
Veja como fazer ricota e queijo "primo sale" em casa. Receitas são do chef Giuseppe Giudizi

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros