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Opinião23/07/2018 | 08h21Atualizada em 23/07/2018 | 08h21

Frei Jaime: algumas folhas 

Algumas pessoas não gostam de ver folhadas caídas, acabam sempre com a vassoura na mão

Frei Jaime Bettega
Frei Jaime Bettega

jaime@ofmcaprs.org.br

As folhas, com a chegada do outono, são levadas pelo vento. Algumas caem próximas do tronco, outras alcançam grandes distâncias. De um jeito ou de outro, as árvores ficam despidas de suas ramagens. Faz parte do ciclo: de tempos em tempos, é necessário trocar e revestir-se de uma nova roupagem. A renovação impacta em grande parte do universo criado. As calçadas ficam repletas de folhas, das mais variadas tonalidades. Os cenários vão se transformando, as estações acham um jeito de marcar e de prender a atenção. 

"Se ainda venta não adianta varrer. Espere o momento certo para agir".

Em alguns momentos, o vento sopra forte, seu cantar traz presente lembranças, seu ruído provoca arrepios, sua velocidade testa os fundamentos das construções, as raízes são testadas, a firmeza deve se impor. Algumas pessoas não gostam de ver folhadas caídas, acabam sempre com a vassoura na mão. Mas se ainda existem folhas nos galhos, não adianta varrer, pois tem mais folhas querendo se despedir. Enquanto o vento estiver soprando forte, é melhor esperar, a calmaria logo chegará. 

A vida, por vezes, é como uma leve folha que segue qualquer direção. Não são poucas as pessoas que mudam de caminho, de acordo com a direção do vento. Aguardar o momento certo para agir, requer maturidade, autocontrole e significativa motivação. Quantas perdas tentar recolher folhas, enquanto o vento ainda sopra forte. Tomar a decisão certa no momento certo, requer habilidade, serenidade e intuição. Ventos contrários sempre vão intimar à rapidez. A pressa não deveria acompanhar nenhuma decisão. 

Em determinadas situações, é quase impossível voltar atrás. Ninguém pode impedir certos vendavais existenciais. Porém, todos podem aprender a lidar com a velocidade do vento. As construções necessitam de estruturas profundas e fortes. A vida supõe garra e determinação. O amanhã não pode ser descrito, mas o hoje pode ser transformado num espaço de reflexão. 

Quem não vive distraído, varre as folhas no momento certo e experimenta a calmaria dos ventos.

 
 
 

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