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Opinião04/07/2018 | 14h02Atualizada em 04/07/2018 | 14h02

Ciro Fabres: vida real

O problema, que não é da Copa, mas dos que lidam com ela, dos que a aumentam além da conta, é a overdose, os excessos

A Copa é um megaespectáculo. Há flagrantes inestimáveis, preciosos, obtidos pelas câmeras das transmissões. O show das torcidas é criativo, colorido, surpreendente, ainda que só caiba nos estádios quem tem poder aquisitivo para tanto, e para viajar até a Rússia. Os dramas das partidas são emocionantes, carregados da imprevisibilidade do futebol. Tudo isso é verdade, e a Copa faz parte, ainda bem. A Copa é bela em seu conjunto estético e competitivo.

O problema, que não é da Copa, mas dos que lidam com ela, dos que a aumentam além da conta, é a overdose, os excessos. Especialmente quando se trata de Brasil. Tudo o que é demais tende a estragar. Tudo seria bem melhor sem os excessos, cuidado que deixaria a Copa ainda mais realçada.

E, apesar dos excessos que nos brindam diariamente, que tem como símbolo maior a tevê perseguindo o ônibus da Seleção, os jogadores desfilando com seus fones de ouvido, a vida real irrompe incontrolável, com Copa e tudo. Quem tem olhos para ver, veja a Copa, absorva a Copa em seus momentos, mas se detenha na vida real.

E a vida real em dia de jogo do Brasil na Copa reservou falta de água para boa parte dos moradores de Caxias, calçadas em más condições, demissões de trabalhadores da Codeca, aumento da gasolina na bomba porque a mordida do ICMS ficou maior. Está batendo nos cinco reais o litro. Quer mais vida real do que isso? Só para a gente não esquecer, só para a gente não se deter demasiadamente na Copa. E ainda tem a violência, as fraudes, a corrupção, as espertezas, que não dão trégua. Está tudo no pacote.

Então, Copa, tudo bem. É eletrizante, tem o esforço, o improviso, a vitória e a derrota tudo junto ao mesmo tempo. Tem sua beleza e sua função. Mas a vida real que está aqui do nosso lado também mostra lá na Rússia como ainda está atrasado o nosso estágio civilizatório, com torcedores em cenas de assédio explícito às mulheres.

É bom administrar a Copa no cotidiano. Pareceria mais sensato a pausa na hora do jogo, a confraternização com torcedores, apreciar o belo espetáculo, mas sem preliminares exageradas, sem perseguição a ônibus e jogadores mostrada pela tevê. E depois vida que segue, pois há muito o que fazer.

A vida é simples, funciona melhor sem exageros, com atenção a nossas tarefas, ao que temos de fazer, à vida real, com atenção e respeito aos outros. A vida nos espera todo dia, com uma Copa a cada quatro anos. É bom assim, mas sem se afastar dos bons modos e da vida real.

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