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Opinião18/07/2018 | 08h15Atualizada em 18/07/2018 | 08h15

Andrei Andrade*: perder é do jogo. E da vida

Seleções que amargaram a volta pra casa mais cedo têm mais a nos ensinar

Quem dera todas as nossas saudades fossem como essa que nos deixa a Copa do Mundo, uma saudade com data marcada para se tornar reencontro, mesmo que seja no ainda distante novembro de 2022. Quatro anos passam tão rápido quando sabemos que um novo evento está reservado no calendário, mas um único dia parece durar quatro anos quando resolve bater a saudade daquilo que já não vislumbramos reaver ou reviver.

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Existem formas diferentes de perder uma Copa e seleções que amargaram a volta pra casa mais cedo têm mais a nos ensinar para a vida do que a vencedora. Ao ser despachado pela Bélgica, o Brasil sofreu a mais dolorosa das derrotas, aquela em que o perdedor sabia que havia mais a oferecer. São fracassos que deixam arrependimentos por escolhas equivocadas, posturas passivas, reação tardia. Saímos de cena sabendo que o caminho para o sucesso se apresentava, mas não o trilhamos (ao contrário do 7 a 1, quando não havia caminho, apenas precipício). Parece impossível, mas o Brasil 2018 tem mais razões para remoer seu insucesso do que o vergonhoso time de 2014.

A queda da Croácia foi a que se pode considerar mais digna. Um time irresignado, que esgotou suas possibilidades e tombou pelo cansaço diante de um adversário mais forte. Não traiu a si mesma, nem foi vítima de auto-sabotagem. Tivessem de recomeçar, fariam tudo exatamente igual. 

Ainda há muitas outras formas de abandonar o jogo e a Copa nos mostra que a derrota é regra, vitória é exceção (deveria ser um motivo para não nos cobrarmos tanto?). A Alemanha foi catastrófica, eliminada na primeira fase com o orgulho ferido de quem contava com a vitória. A Argentina foi melancólica, com sua maneira única de já entrar em campo derrotada pela própria bagunça. O Uruguai perdeu lamentando o imponderável, que foi a perda do seu centroavante. Seguirá em frente com a eterna dúvida de como teria sido.   

Todas essas seleções deverão ter uma nova chance em quatro anos. A Copa sempre dá aos arruinados novas oportunidades de fazer diferente, de encontrar suas derrotas por razões mais nobres que as anteriores, de eventualmente até vencer. A vida não promete outra chance e é por isso que saudades são tão menos saborosas num dia desses que parecem durar longos quatro anos.

*O colunista Ciro Fabres está de férias

 
 
 

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