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Opinião08/06/2018 | 15h00Atualizada em 08/06/2018 | 15h00

Pedro Guerra: Cócegas

Até o momento, dentre tudo aquilo que já li, prefiro acreditar que as cócegas não passam de uma resposta involuntária do nosso corpo

Pedro Guerra: Cócegas Antonio Giacomin/Reprodução
Foto: Antonio Giacomin / Reprodução

Saímos para um café no fim de tarde (na verdade foi um suco porque era verão, mas isso agora tanto faz). Para ser sincero, eu não estava com um pingo de vontade de sair para conhecer alguém, trocar uma ideia e ver no que aquele encontro poderia dar. Não vou nem mencionar que a palavra "encontro", por si só, já costuma vir acompanhada de diversos tipos de calafrio para mim. O resultado, enfim, foi aquele que já vinha se manifestando há algum tempo: faltaram as cócegas.

Eu não senti nada.

Quer dizer, talvez esteja exagerando. O encontro até que foi agradável, conseguimos estabelecer uma conversa sobre diversos assuntos e a companhia não foi de todo o mal. Acontece que, mesmo eu não tendo cultivado nenhuma expectativa (nenhuma mesmo), aquele despertar inconsciente de estar cara a cara com alguém que eu gostaria de ver uma segunda vez não aconteceu.

Pensei que algo estivesse errado aqui dentro. Quer dizer, sempre somos os primeiros a culpar. Por que é que eu ando tão frio para relacionamentos? Por que eu não permito que qualquer um se aproxime e tenha acesso aos meus sentimentos? Por que é que eu não torno as coisas mais fáceis?

Obviamente eu fui ler sobre o assunto. Quis tentar encontrar uma resposta que pudesse me parecer aceitável quanto ao fato de não ter sentido mais as tais borboletas no estômago _ aquela sensação gostosa de estar caindo de amores por alguém. Onde é que foram parar as cócegas que nós sentimos depois de um encontro que desejamos repetir?

Descobri que uma porção de biólogos, psicólogos evolucionistas, neurocientistas e até mesmo Aristóteles e Charles Darwin já tentaram encontrar uma explicação racional para o fato de sentirmos cócegas. E mesmo havendo milhares de estudos sobre o tema, a verdade é que ninguém sabe ao certo responder. Até o momento, dentre tudo aquilo que já li, prefiro acreditar que as cócegas não passam de uma resposta involuntária do nosso corpo. E só.

Foi aí que me dei conta: talvez o problema não esteja aqui comigo - ao menos, não só. Se as cócegas nascem a partir de um estímulo, quase sempre carregadas do fator surpresa, talvez eu ainda não tenha encontrado quem me faz rir de verdade, quem me tira da minha zona de conforto, quem me desafia para o bem e quem me faz reagir.

Então é isso. Estou à procura de alguém que me provoque, de alguém que me faça revidar no melhor dos sentidos. Afinal, o amor acontece no despertar - e ele quase sempre tem início a partir de algumas simples e inofensivas cócegas.

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