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Opinião01/06/2018 | 15h00Atualizada em 01/06/2018 | 15h20

Nivaldo Pereira: utopia e nostalgias

Mais que nunca, a fluidez líquida netuniana abala nossa aparente firmeza terrena e nossos controles

Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Ei, Netuno, planeta azul dos encantos e enganos, o que nos dizes desses tempos em que o real é o caos? Nos noticiários, imagens mais confundem do que explicam. A pretensa lógica jamais dá conta do todo, abrindo espaço para visões tão maniqueístas quanto manipuladoras. Tudo esconde outras intenções, tudo é truque. Ó dissolvente Netuno: tua posição atual, em Peixes, teu próprio reino, enlouquece ainda mais o Brasil, que é do signo oposto, Virgem. Nossa antiga imagem, traçada em cima de limites e castas, ruiu. Que máscaras resistirão?

Mais que nunca, a fluidez líquida netuniana abala nossa aparente firmeza terrena e nossos controles. A desordem se instala em quase barbárie. E também surge a humana nostalgia das águas primordiais uterinas: aquele anseio que, diante de uma realidade ameaçadora, nos convida ao paraíso perdido do antes da vida. Feito crianças desamparadas, queremos o colo da mãe divina. Queremos redenção!

E onde está a redenção que nos livra do desencanto? Para além da vibração religiosa em expansão, ela está em cartaz no cinema, arte de Netuno. Os filmes de super-herois são as maiores bilheterias mundiais. Mulher Maravilha, socorrei-nos! Plateias inseguras precisam de vingadores unidos contra um mal que também se ampliou.

A redenção também está na utopia da vida antes das "contaminações" modernas, retomando os nacionalismos entre os países e suas políticas puristas. Ou na utopia de um passado idealizado em que supostamente havia ordem e governo forte, reativando o clamor por intervenções armadas. Ou na espera de um político salvador. Tais ficções e utopias, é claro, são delírios netunianos, loucuras coletivas. Perigo, perigo!

Em signos de terra, Urano e Plutão acenam para mudanças maiores na economia. E se a onda caótica do deus dos mares é inevitável, surfemos nela com cuidado. A histeria da busca de bodes expiatórios já ronda por aí. Vibremos, pois, no melhor de Netuno: o anseio por uma totalidade amparada na compaixão e no espírito. Uma nova identidade, sem tantos muros a proteger privilégios e a limitar direitos.

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